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A aposentadoria de Christian Sprenger

21 de janeiro de 2016

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Christian Sprenger, um dos maiores peitistas dos últimos anos, se aposentou das piscinas. O australiano de 30 anos coleciona praticamente todas as qualificações possíveis e sonhadas por um nadador de alto rendimento: recordista mundial, campeão mundial, medalhista olímpico.

Mas a história não foi linear. O recorde mundial aconteceu em 2009, no Mundial de Roma, e não veio acompanhado de um título. Foi na prova de 200 peito, então sua especialidade, em um Mundial marcado pelos trajes de borracha. Sprenger fez 2’07”31 na semifinal, quebrando o recorde de Kosuke Kitajima. Na final, nadando na raia 4, Sprenger acabou em terceiro lugar, empatado com Giedrius Titenius, nadando para 2’07”80.

Daniel+Gyurta+Christian+Sprenger+Swimming+gpPdnD0ayF6l

Essa foi sua primeira medalha individual em grandes competições. Em 2008, um ano antes, ele foi 26o colocado no 200 peito nas Olimpíadas de Pequim, e 14o no 100 peito, ficando a 21 centésimos de chegar à final olímpica da prova. Saiu de Pequim com uma medalha de prata, por sua participação nas eliminatórias do revezamento 4×100 medley.

Bater um recorde mundial em Roma, em uma prova em que nem havia passado das eliminatórias nas Olimpíadas um ano antes foi uma grande evolução para o nadador. Mas 2009 acabou, levando com ele os trajes. Em uma das principais competições de 2010, o Commonwealth Games, Sprenger ficou em 3o no 200 peito, com 2’11”44, 4 segundos acima do seu recorde. Na época já estava claro para todos que seria difícil repetir os tempos feitos com os trajes – para alguns menos, para alguns mais.

Embora continuasse  sendo recordista mundial do 200 peito, Sprenger continuou com dificuldades de encaixar a prova. Em uma entrevista, ele disse que quase parou de nadar na época, porque “o 200 estava me deixando para baixo”. Sprenger mudou de técnicos e começou a focar mais no 100 peito. Entre tantas mudanças, no Mundial de Shangai-2011, ele não se classificou para nadar a prova de 200 peito pela Austrália e não conseguiu chegar à final do Mundial no 100.

Para Londres, o foco já estava totalmente voltado para a prova de 100 peito. Na seletiva australiana, Sprenger quebrou a barreira do 1 minuto pela primeira vez, fazendo 59”91. Ele se classificou com o primeiro tempo no país, à frente do então recordista mundial, seu conterrâneo Brenton Rickard.

A consagração veio em Londres, aos 26 anos. Sprenger disse que nadou como se fosse a última prova de sua vida. Menos de um minuto depois, o resultado foi esse:

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Sprenger fez a prova perfeita, nadou para 58”96 e conquistou sua primeira e única medalha olímpica individual, a prata na prova. Depois de sentar na baliza e chorar, sem acreditar no que tinha feito, Sprenger disse em entrevista:

“As estrelas se alinharam para mim essa noite. Eu sou grato todos os dias por não ter parado de nadar e ter tentado uma vez mais. Achei que essa fosse minha última Olimpíada e que era isso. Então nadei pensando que essa podia ser minha única chance. Nadei como se fosse a última prova da minha vida”.  

Um ano depois veio o titulo mundial em Barcelona-2013, em uma prova que os brasileiros se lembram bem: Felipe Lima foi terceiro colocado. Sprenger venceu o campeão olímpico Cameron van der Burgh em prova muito apertada (58”79 x 58”97) depois de avançar em primeiro nas eliminatórias e semifinais.

Na mesma competição, ainda foi prata no 50 peito, com 26”78, apenas um centésimo atrás de van der Burgh.

Christian+Sprenger+Swimming+15th+FINA+World+54rHJE2JLYZl

Desde 2014 uma lesão no ombro passou a atrapalhar cada vez mais sua carreiraNo Commonwealth Games daquele ano ele não conseguiu chegar à final do 100 peito e foi bronze no 50. O problema continuou para o Mundial Kazan, onde quase ficou fora da competição, ocasião em que defenderia seu título mundial. Acabou competindo e ficando em 28o no 100 peito e 17o no 50.

No anúncio da despedida, feito 200 dias antes das Olimpíadas, Sprenger disse que olha para a piscina e não tem mais vontade de nadar. “Isso é um bom sinal de que as coisas devem ficar desse jeito”. Ele falou ainda que talvez até conseguisse se classificar para as Olimpíadas, mas se chegasse à sua terceira edição dos Jogos, ia querer chegar lá e performar bem, não só fazer parte do time.

Sprenger disse que foi ficando cada vez mais frustrado porque não conseguia encaixar seu estilo depois das lesões. “O ouro olímpico era a única coisa que faltava para minha coleção, mas nesse esporte, se sua mente e seu corpo não estão em perfeita sintonia e focados, a performance não vem”.

Desejamos sucesso a Sprenger na vida fora das piscinas – e sentiremos falta da vibração e comemoração depois de cada vitória.

Christian+Sprenger+Olympics+Day+2+Swimming+ZUDjb7-kLghl

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