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Daniel Gyurta se aposenta

28 de março de 2018

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Um dos maiores nadadores de 200 peito da história, Daniel Gyurta anunciou ontem sua aposentadoria da natação competitiva.

O húngaro de 28 anos conquistou praticamente todos os títulos possíveis na natação: foi campeão olímpico do 200 peito em 2012, tricampeão mundial da prova, vencendo em 2009, 2011 e 2013 (e ainda ficou com o bronze na edição de 2015). Ficou seis anos sem ser vencido na prova em piscina longa. Foi bicampeão europeu e bicampeão mundial de piscina curta. Bateu o recorde mundial do 200 peito tanto em piscina curta (2009) e longa (2012).

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Gyurta ficou marcado ainda por sua atitude após a morte de Alexander Dale Oen. O norueguês morreu meses antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em que chegaria como um dos favoritos nas provas de peito.

Após vencer a prova de 200 peito nos Jogos, Gyurta prometeu que levaria uma réplica de sua medalha para a família de Dale Oen, promessa que foi cumprida em dezembro do mesmo ano. Com isso, ele ganhou o prêmio de Fair Play da Unesco em 2013. Atualmente, ele é parte do Comitê de Atletas da FINA, e esteve nos Jogos Olímpicos da Inverno em Pyeongchang entregando medalhas.

Daniel Gyurta começou a nadar com 4 anos em Budapeste e já disse que, assim que aprendeu os estilos, se apaixonou na hora pelo nado peito. Ele é um talento nos 200 peito desde os 11 anos de idade, quando fez 2’25”47 em piscina longa. Para se ter uma ideia, o recorde brasileiro infantil 1 (13 anos) da prova é de 2’29”34. De acordo com o repórter da Swimming World, Norberth Agh, que acompanhou os resultados de Daniel Gyurta desde cedo, a marca era 10 segundos melhor do que qualquer garoto de 12 anos na história (para mais detalhes, clicar aqui).

Na época, o repórter perguntou sobre o futuro para Gyurta, que sorriu e disse que iria ganhar o 200 peito nas Olimpíadas de Atenas.

A evolução continuou: com 12 anos, Gyurta baixou para 2’19”52, com 13 anos para 2’14”64 e com 14 anos fez 2’13”89. Embora desconhecido do grande público em Atenas-2004, veja que Gyurta chegou aos Jogos como um fenômeno das categorias de base. O húngaro, na época com 15 anos, terminou em segundo lugar, com 2’10”80, atrás apenas do lendário japonês Kosuke Kitajima, que bateu o recorde olímpico na final.

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No ciclo olímpico seguinte, Gyurta não nadou o Mundial de Montreal (2005), e terminou em sexto lugar no Mundial de Melbourne, em 2007,  sem conseguir repetir seu tempo de Atenas. Em entrevistas, chegou a falar que os anos após a prata em Atenas foram “devastadores”.

Ainda assim, Gyurta chegou às Olimpíadas de Pequim como um dos favoritos, aos 19 anos, e bateu o recorde olímpico já nas eliminatórias (2’08”68). Na final, não conseguiu repetir a marca e terminou em quinto lugar. Kitajima venceu a prova novamente, se tornando bicampeão olímpico.

Depois disso, o húngaro começou o que seria uma sequência imbatível de vitórias. Venceu o Mundial de 2009, em Roma, com 2’07”64, novo recorde europeu. Em 2010, venceu o Campeonato Europeu competindo em casa, em Budapeste. Em 2011, se tornou bicampeão mundial da prova em Shangai, com 2’08”41, chegando 22 centésimos à frente de seu grande adversário Kitajima. Em 2012, venceu as Olimpíadas com novo recorde mundial, 2’07”28. Após o ouro, disse:

“Provei para todos e para mim mesmo que, depois daqueles anos devastadores depois das Olimpíadas de 2004, eu consegui voltar, e fazer o que sonhava desde criança. Essa é a maior conquista da minha vida“.

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Um ano depois, Gyurta continuaria sua sequência de vitórias ao vencer o Mundial de Barcelona com seu melhor tempo da vida: 2’07”23, novo recorde europeu. O ouro fez dele o primeiro tricampeão mundial da historia do 200 peito (curiosidade: o brasileiro Cesar Cielo também se sagrou tricampeão mundial da prova nessa competição, na prova de 50 livre).

Em 2015, foi derrotado no 200 peito em piscina longa pela primeira vez desde 2009, terminando em terceiro lugar no Mundial de Kazan. Terminava ali uma das sequências de vitórias mais incríveis dos últimos anos.

Germany's gold medal winner Marco Koch is flanked by United States' silver medal winner Kevin Cordes, left, and Hungary's bronze medal winner Daniel Gyurta during the ceremony for the men's 200m breaststroke final at the Swimming World Championships in Kazan, Russia, Friday, Aug.7, 2015. (AP Photo/Sergei Grits)

Germany’s gold medal winner Marco Koch is flanked by United States’ silver medal winner Kevin Cordes, left, and Hungary’s bronze medal winner Daniel Gyurta during the ceremony for the men’s 200m breaststroke final at the Swimming World Championships in Kazan, Russia, Friday, Aug.7, 2015. (AP Photo/Sergei Grits)

Nas Olimpíadas do Rio, Gyurta acabou em 17o lugar no 200 peito, sem conseguir passar das eliminatórias. Depois do resultado, Gyurta mudou de técnico. Até então, treinava com Sándor Széles , Ferenc Kovácshegyi e Balázs Virth. Széles foi seu técnico desde os 9 anos e disse que “Dani é um garoto que todo técnico gostaria de treinar”. Ele morreu precocemente, ano passado, aos 61 anos, ocasião em que foi homenageado por Gyurta.

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Um ano depois, o húngaro nadou sua última grande competição internacional, o Mundial de Budapeste, em sua cidade natal. Ele acabou repetindo o resultado das Olimpíadas, terminando em 17o, parando ainda nas eliminatórias. Nadou ainda a final do 4×100 medley, ficando em sétimo lugar.

Ontem veio a notícia de sua aposentadoria, aos 28 anos, em sua página no facebook. “Tomei a decisão mais difícil da minha vida, estou dizendo adeus à natação competitiva. Eu não sou o tipo de cara que desiste, mas preciso admitir que chegou a hora. Sou grato por toda nação por me apoiar e pelo fato de ter ganhado o que todos os nadadores sonham: fui imbatível por 6 anos no mundo. Não vou virar as costas para as piscinas, a natação húngara pode contar comigo”.

Fará falta assistir Gyurta nadando; aliás, a forma como dividia sua prova era linda de ver: passando atrás e voltando muito forte. Vale a pena ver o vídeo da prova de Atenas, a primeira vez em que fez isso em uma grande competição (o vídeo da prova começa no minuto 7):

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