Joanna, foi inesquecível te ver nadar | Yes Swim
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Joanna, foi inesquecível te ver nadar

31 de julho de 2018

AposentadoriasNenhum comentário em Joanna, foi inesquecível te ver nadar

Me lembro como se fosse hoje da primeira vez que vi a Joanna Maranhão. Foi em Uberlândia, no Campeonato Brasileiro Infantil de Inverno, em 2001. Numa era sem smartphones e instagrams, eu conhecia o nome e os resultados, mas não sabia quem era ela. O destino nos colocou no mesmo hotel, e nossos técnicos fizeram algum arranjo para dividirmos uma van até a competição. Não conversamos, foi só chegando no Praia Clube e vendo a primeira etapa que me dei conta: aquela menina da van era a Joanna Maranhão.

Ela, claro, ganhou tudo. 200 medley, 800 livre e 100 peito – sim, campeã brasileira de 100 peito, 3 segundos à frente da segunda colocada! – conseguindo o troféu de mais eficiente da competição. Duas coisas me impressionaram: como ela nadava fácil e bonito, e o fato de nadar sem Aquablade (o traje que era febre da época), de maiôzinho mesmo. Foi a prova que minha mãe precisava para decidir que não ia comprar traje nenhum para mim.

Muita coisa mudou nesses 17 anos. O Brasileiro Infantil de Inverno parou por um tempo e depois voltou, o Aquablade virou peça de museu, o treinamento mudou, os recordes foram caindo e as gerações mudaram. Já assistir à Joanna nadando continuou sendo, para mim e para muita gente, uma das coisas mais legais de acompanhar na natação.

Multinations, Chico Piscina, Pan-Americano, Olimpíadas, trajes, sem trajes, de Flavia Delaroli a Etiene Medeiros, de Gustavo Borges a César Cielo, Correios, CBDA: Joanna Maranhão viveu tudo isso e tem histórias sobre tudo isso, muitas vezes como protagonista.

Além dos feitos, da atitude, do posicionamento e da ética, eu agradeço a Joanna pelas emoções que ela me fez sentir tantas vezes acompanhando suas provas. Sei que não sou a única.

Não vou esquecer nunca aquele sorriso e aquela alegria quando seu nome foi anunciado na piscina de Atenas.

Não vou esquecer das pessoas voltando para arquibancada para acompanhar as provas de medley quando tinha Joanna e Georgina no Troféu Brasil e José Finkel.

Não vou esquecer do título da matéria da BestSwimming no dia do índice olímpico de Pequim: “Joanna emociona o Maria Lenk” e dessa foto aqui embaixo, momentos após a classificação para sua segunda Olimpíada.

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Não me esqueço do choro no pódio do PAN de Guadalajara em 2011, e também não esqueço dessa comemoração depois de se garantir na terceira Olimpíada, feito para poucas pessoas em qualquer país do mundo e em qualquer esporte.

Brasil - Rio de Janeiro - 16/12/2011 - Joanna Maranhão durante a prova dos 400 metros medley realizada no Parque Aquático Maria Lenk Foto: Ricardo Brandão/AGIF

Brasil – Rio de Janeiro – 16/12/2011 – Joanna Maranhão durante a prova dos 400 metros medley realizada no Parque Aquático Maria Lenk Foto: Ricardo Brandão/AGIF

Nem vou esquecer de como eu não podia acreditar que ela estava fora daquele 400 medley em Londres. Tinha certeza que era ali que cairia o 4’40”00. Dias depois ela nadou o 200 medley e, mais uma vez, chegou a uma semifinal olímpica.

Não vou esquecer de quando ela contou para minha melhor amiga na minha frente, em 2014, que estava seriamente cogitando voltar a nadar depois ter anunciado aposentadoria pela primeira vez (e eu só pensava: volta mesmo!).

E ainda bem que ela voltou. Outra comemoração linda, quando o três virou quatro. Atenas, Pequim, Londres e Rio, que currículo.

Joanna Maranhao. Trofeu Daltely Guimaraes na Unisul, Campeonato Brasileiro Senior. 17 de dezembro de 2015, Palhoca, SC, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress/CBDA

Não vou esquecer do inacreditável recorde brasileiro de 400 livre, dias depois dela fazer 30 anos. Mais ou menos um mês depois, ainda teve recorde do 1500 livre, em pleno Campeonato Paulista.

E mais do que qualquer um, não vou esquecer jamais daquele 4’38 no PAN de 2015 e tudo que ele vai representar para sempre. Onze anos para baixar o tempo de sua principal prova, onze anos treinando para baixar o tempo do 400 medley, sem ter certeza alguma se ia sair, entre muitos altos e muitos baixos, muitas dúvidas e muito treino.

Em uma era de muitos trajes, de instagrams de todas as idades lotados de frases motivacionais depois de cada treino, de muitas histórias de quem escolheu atalhos e caminhos mais fáceis, foi uma honra ter acompanhado a carreira de uma nadadora que sempre valorizou treino, preparação e jornada. Joanna, foi inesquecível te ver nadar, obrigada por tudo.

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