12931102_1016017031802308_6554138721271219167_n

Minha última seleção brasileira

6 de abril de 2016

AposentadoriasNenhum comentário em Minha última seleção brasileira

Por Gabriela Rocha 

Antes de falar do fim quero falar do começo, de quando o que era distante chegou perto. De quando a oportunidade bateu a minha porta e eu agarrei com todas as minhas forças.

2011, ano marcante! Ali, com 16 anos, eu estreava em minha primeira seleção absoluta, no Pan Americano de Guadalajara, depois de algumas seleções de categoria, como o Multinations em Corfu, na Grécia.

multinations

Multinations Grécia

Esse momento vai ficar sempre na minha memória. Nadei o 800 livre a noite no Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Na época as eliminatórias eram a noite e as finais de manhã. Logo na manhã seguinte, quando acabou a série forte da prova, o técnico Arapiraca veio em direção à mim e ao Alexandre, meu técnico. Ele disse que a Ana Marcela e a Poliana, campeã e vice da prova, iriam abrir mão de suas vagas. Eu, que tinha feito o índice exigido na noite anterior, entraria na seleção.

Até então minha ficha nao tinha caído. Meu técnico só sabia me abraçar e pular e eu ainda sem saber o que estava acontecendo. Tinha treinado muito forte naquela temporada, então aquela notícia foi a consagração de todo esforço. Dia 20 de maio (meu aniversário!!) saiu a convocação e meu nome estava lá! Estava em um Campeonato Sudeste em Minas Gerais e não conseguia controlar minha euforia, a notícia meu deu um gás a mais para a competição e ali ganhei, bati recorde. Eu estava nas nuvens.

Screen Shot 2016-04-06 at 9.12.15 AM

Cheguei na minha cidade e dei várias entrevistas, todo mundo perguntando sobre expectativas. Eu estava simplesmente curtindo aquele momento. O êxtase da convocação me fez competir muito bem no Brasileiro, que aconteceu uma semana antes de viajar para o treinamento em altitude, parte da preparação para o Pan Americano. Conheci pessoas incríveis, vivenciei momentos indescritíveis e cresci, cresci muito.

394576_3560690899237_1750404389_n

Com o técnico Alexandre

Aprendi a ser atleta de verdade, sem deixar a diversão de lado. Eu não queria deixar a chama daquele momento se apagar nunca.

Já na Altitude em La Loma, no México, eu comecei a sentir o clima de uma seleção absoluta.

Mas nada comparado com a sensação que tive quando entrei na Vila Pan Americana! INDESCRITÍVEL! Depois, quando chegamos na piscina, mais uma mistura de sentimentos. Para mim era tudo muito novo, eu nunca tinha entrado em um complexo aquático daquele tamanho, fiquei deslumbrada. Como tinha ido sem técnico, quem ficou responsável em me passar os treinos e aquecimentos foi o Carlos, técnico do Corinthians, clube que dois anos depois eu passei a representar.

pan2

PAN de Guadalajara, 2011

Naquele Pan Americano nadei os 800 livre. Fiquei em décimo segundo lugar, aquilo para mim tinha sido incrível, independente do que os outros pensavam. Tambem nadei a eliminatória do revezamento 4×200 livre, onde nós oito (nadadoras da eliminatória e da final) ganhamos a medalha de prata. Que momento!

2012 começou com a minha vaga no Mundial Junior de Maratonas Aquaticas. A partir dali mais duas competições absolutas surgiram, com a convocação para duas etapas da Copa do Mundo de Maratona Aquática. Foi um ano muito intenso, com volume de treino alto pra aguentar as maratonas. A primeira foi em Cancun, em maio, lugar que eu jamais imaginei que conheceria. E logo após um mês de treinamento em La Loma fomos para o Canadá nadar outra etapa, 15 dias antes do nosso Mundial. Nadei a prova de 7,5km e o revezamento de 3km.

Tive anos maravilhosos no Corinthians, melhoras de tempo, ótima convivência com meus amigos de treino e toda comissão, graças a Deus. Muitas braçadas e histórias.

Foi tudo muito intenso, mas preferi seguir meu coração e estava na hora de voltar pra minha casa, sem previsão de volta a rotina de treinos e sem descartar uma volta repentina. Voltei a morar com a minha família em Vitória e resolvi me dedicar a outras coisas, mantendo a natação nos meus horários livres. Foi uma decisão difícil, mas a vontade de estar junto à familia falou mais alto e eles me apoiaram.

E no meio disso, em 2016, eu voltei à Seleção. Talvez não do jeito que eu imaginava, mas muito feliz!

Terminei esse Sul Americano leve, feliz, e com a certeza que a natação me proporcionou coisas incríveis. Foi uma emoção diferente, mas de outra forma. Eu sabia que ali estava encerrando um ciclo da minha vida e começando outro. Um ciclo nao só em relação a natação, mas na minha vida pessoal também, agora eu tenho outras responsabilidades, outras prioridades. A natação nunca vai ficar fora da minha vida, eu sempre vou carregar comigo um pouquinho dela.

A vida é sempre surpreendente, hoje essa foi a minha última seleção, minha última competição, mas quem sabe o dia de amanhã? Incrível conviver com essas pessoas que eu tanto admiro, que eu torço tanto pelo sucesso, a energia é contagiante.

Nunca vou me arrepender desses anos dedicados a natação, foram incríveis, conheci países que acho que nao conheceria se não fosse a natação. A disciplina que tenho hoje é graças a esse esporte, a visão que tenho, meu caráter, minhas opiniões, a natação tem influência em tudo. Hoje sou grata a todos que torceram, acreditaram, criticaram de forma positiva e negativa, eu melhorei muito e nunca vou esquecer disso.

Não sou muito de ficar escrevendo textão em rede social, então aproveito a oportunidade de agradecer mais uma vez a chance que Deus me deu e a todos que caminharam comigo.

Hoje só posso agradecer a cada um que trilhou esse caminho comigo, Alexandre, Helvio, APPTO, Wlad, Caio, Carlos, equipe do Corinthians, Gabriel, meu amigos, e principalmente minha familia.. que me apoiou e ajudou em todas as minhas decisões.. obrigada!

E que possamos ser cada vez mais felizes no que fazemos.

Sulamericano 2016 (Foto: Satiro Sodré/SSPress)

319459_3499843578092_2031639690_n

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

« »