Perda necessária

10 de outubro de 2014

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A suspensão de Michael Phelps levantou uma discussão interessante. O maior medalhista olímpico da história foi punido pela federação americana, após ser pego dirigindo bêbado na semana passada. Dentro da punição está a não participação no Mundial de Kazan do ano que vem, para o qual já estava classificado.

Em termos legais, a USA Swimming não tem obrigação de puni-lo. Essa função cabe a órgãos judiciais. Mas mesmo assim o fez, por saber da responsabilidade que isso implica. Michael Phelps é ídolo, suas atitudes são modelo para jovens, tanto positiva quanto negativamente. Não puni-lo abriria precedentes.

A questão começou a ser discutida, após entrevistarem a federação holandesa de natação, perguntando se teriam seguido o exemplo da federação americana caso o mesmo tivesse acontecido com Ranomi Kromowidjojo (holandesa campeã olímpica nos 50 e 100 livre) . A resposta foi que não. A Federação Holandesa não daria qualquer punição, caso Ranomi fosse pega nas mesmas circunstâncias que Phelps.

Mas então, até que ponto as regras valem para todos? Pergunto isso à consciência de cada um. Todos nós estávamos ansiosos para ver Phelps de volta contra o mundo. Sua presença em Kazan já era aguardadíssima e sua ausência diminui (e muito) a graça desse Mundial, tanto para o público, quanto para a mídia. E é realmente uma pena que esse episódio tenha ocorrido.

Mas somos hipócritas a ponto de acharmos que, por ser Michael Phelps, a federação deveria ser mais branda na suspensão, ou não ter dado suspensão nenhuma? Queremos ou não que os poderes ajam de forma correta? Sim, essa pergunta estende-se à política. Essa pergunta estende-se ao nosso dia-a-dia. Porque sabemos discernir bem o certo e o errado, até o momento que nos afete. Nessa hora, aparecem vírgulas, asteriscos, exceções.

Com certeza, não foi uma decisão fácil. Assim como nós apreciadores, ou como a mídia, a USA Swimming é beneficiada diretamente com a presença de Phelps, não só pelos resultados do nadador, mas pela força que seu nome exerce sobre crianças que estão iniciando no esporte. Ídolo gera afiliações. Afiliações geram renda. E é por isso que a decisão é admirável: abrir mão de benefícios imediatos, em prol da longevidade do sucesso e da própria entidade.

Melhor que isso, uma votação da Swimming World atestou que 60% dos americanos concordam com a punição da USA Swimming.

Que a decisão da Federação Americana sirva de exemplo para órgãos esportivos, ou até políticos. Alguns deles desandados pela falta de critério, pela falta de percepção.

Isso me faz lembrar:
Dois nadadores pegos no doping com a mesma substância. Um é campeão olímpico e o outro não. O primeiro não teve suspensão. O segundo sim. Por quê?

Sim, a ausência de Phelps é lamentável. Mas mais lamentável seria ver ídolos se diluindo, devido a quem os cercam serem coniventes de seus maus hábitos.

No mais, espero de coração que Phelps esteja no Rio em 2016.

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