Sidney, 17 fatos além do óbvio

22 de setembro de 2015

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Na última semana, comemoramos os 15 anos das disputas da natação nas Olimpíadas de Sidney-2000. Foram relembrados os feitos de grandes nomes da natação mundial, como Ian Thorpe, a estreia de Michael Phelps em Jogos Olímpicos e a prova de Eric Moussambani.

Mas Sidney foi muito mais do que isso. E aqui, relembramos outros episódios, vencedores, zebras e resultados que marcaram a 27a edição das Olimpíadas da Era Moderna.

1- A “Ruta” de Sidney-2000
Diana Monocu foi uma espécie de “Ruta Meilutyte” daquela edição. Com apenas 16 anos, ela surpreendeu as favoritas, vencendo a prova de 100 e 200 costas. No 100, fez a segunda melhor marca de todos os tempos na época, 1’00”21; no 200, venceu a campeã mundial Roxana Maracineanu.

18 Sep 2000:  Diana Mocanu of Romania celebrates after winning gold in the Womens 100m Backstroke Final during the 2000 Sydney Olympic Games at the Aquatic Centre, Olympic Park, Sydney, Australia. DIGITAL IMAGE. Mandatory Credit: Darren England/ALLSPORT

Quem também esteve presente nas provas de costas foi Kirsty Coventry, com 17 anos. Ela terminou em 12o no 100 costas. Quatro anos depois, Convetry foi campeã olímpica no 200. Outra presença “ilustre” nas semifinais foi de Charlene Wittstock, terminando em 14o no 200 costas. Futuramente, a sulafricana se tornaria princesa de Monaco.

2- Dobradinha americana no costas
No masculino, as duas provas de costas também tiveram mesmo vencedor: o norte-americano Lenny Krayzelburg. Ele chegou a Sidney como favorito depois de vencer o 100 e 200 costas no Mundial de Perth, e confirmou o favoritismo, batendo o recorde olímpico nas duas provas (53”72 e 1’56”76). No 200, fez dobradinha com o jovem de 17 anos Aaron Peirsol. Quatro anos depois, Peirsol seguiria os passos do veterano e venceria as duas provas em Atenas.

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3- A derrota do ídolo da casa [1]
Misty Hyman protagonizou uma das maiores “zebras” daquela edição olímpica, vencendo Susie O’Neil no 200 borboleta. Tudo bem que Hyman tinha sido bronze na prova no último mundial, mas Susie O’Neil era a atual campeã olímpica, mundial e recordista mundial. Competindo em casa, a australiana era a grande favorita e um dos ídolos do país. Hyman passou forte e conseguiu manter a liderança, ganhando com 2’05”88, superando o recorde olímpico que já durava desde 1984, um dos mais duradouros na época. O’Neil foi prata e a australiana Petria Thomas terminou em terceiro.
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3- A derrota do ídolo da casa [2]
Falando em frustrar a torcida local, Pieter van den Hoogenband foi o algoz da maior estrela da natação australiana naquela época – e uma das maiores de todos os tempos. Ian Thorpe já havia vencido o 400 livre no primeiro dia com novo recorde mundial, e chegava ao 200 livre também com o recorde do mundo na prova. Na semifinal, Pieter já deu seu recado e bateu o recorde mundial do Torpedo: 1’45”35 na primeira série. Thorpe nadou depois e quase alcançou a marca, nadando para 1’45”37 e antecipando um duelo de gigantes. Na final, os dois nadaram lado a lado até os últimos 150 metros, quando Pieter acelerou e fez exatamente o mesmo tempo do dia anterior, igualando seu recorde mundial. “Nós viemos à cova do leão e conseguimos”, disse na época o pai do nadador, Cees-Rijin van den Hoogenband. A sensação era exatamente essa: bater Thorpe, o fenômeno da natação, na Austrália. Vale lembrar que Pieter não era nenhum desconhecido e era também um “fenômeno” holandês: tinha sido quarto colocado no 100 e 200 livre quatro anos antes em Atlanta-1996, com apenas 18 anos. Vale rever o vídeo da prova. Unknown
4- O primeiro 47” da história
Embalado, Pieter voltou para a piscina um dia depois para a eliminatória do 100 livre, sendo o único a nadar para 48”. Nas semifinais, ele repetiu o roteiro do 200 e bateu o recorde mundial com 47”84, se tornando o primeiro homem da história a baixar de 48”. Não deu para repetir o recorde na final, mas o 48”30 foi suficiente para garantir sua segunda medalha de ouro, e frustrar o sonho do tricampeonato de Alexander Popov, ouro na prova em 1992 e 1996. Pieter se tornava o novo cara a ser batido no 100 livre. O bronze ficou com Gary Hall Junior.

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5- Thorpe 1 x 0 Gary Hall Junior 
Quem terminou em quarto no 100 livre foi Michael Klim. O australiano tinha batido o recorde mundial do 100 livre há apenas 3 dias, na abertura do revezamento 4×100 livre australiano, uma das provas mais icônicas daquela edição dos Jogos. A prova foi tão incrível que merece um post só para ela. Mas resumindo: Ian Thorpe fechou o revezamento de forma espetacular, superou o velocista Gary Hall Junior e deu a vitória para a Austrália. Mais do que isso, imprimiu aos EUA a primeira derrota no 4×100 livre desde 1964, quando a prova foi introduzida nas Olimpíadas – sim, os EUA nunca havia perdido o revezamento em Olimpíadas. guitar-300x206

6- É o Bala!
Para o Brasil, a prova também é muito especial: Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério foram bronze em um final de prova de Edvaldo que é digno de filme. Uma prova linda, e que marcou nossa última medalha de revezamento em Olimpíadas. A emoção está estampada nessa foto.

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7- Duplo ouro no 50 livre masculino
Se não ganhou o revezamento nem o 100 livre, pelo menos os EUA comemoraram o duplo ouro no 50 livre. O estreante Anthony Ervin, então com 19 anos, e Gary Hall Jr (prata no 50 livre na edição anterior), empataram em 21”98 para ganhar a prova. Alexander Popov, campeão em 1996 e que tinha batido o recorde mundial três meses antes com 21”64, terminou em sexto.
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8- O primeiro ouro da história da natação italiana…
Um país que comemorou muito essa edição dos Jogos foi a Itália, que nunca tinha subido ao lugar mais alto do pódio na natação em Olimpíadas, e só nessa edição subiu duas vezes. O responsável foi Domenico Fioravanti, vencedor do 100 e 200 peito, comemorando absurdamente nas duas provas. Fioravanti era o campeão europeu em atividade no 100 peito e quinto colocado na prova no último Mundial. Em Sidney, bateu o recordista mundial Roman Sludnov e estabeleceu novo recorde olímpico, com 1’00”46, levando a Itália à loucura. Ah, e sabe quem foi quarto na prova? Kosuke Kitajima, na época com 17 anos. Quatro anos depois, ele faria um estrago nas provas de peito em Atenas… Domenico_Fioravanti_campione_olimoico_100_rana_Sydney_2000
9- .. e o segundo, dois dias depois
Mas voltando a Sidney: dois dias depois, no 200 peito, a comemoração de Fioravanti foi maior ainda quando o pódio foi compartilhado com seu conterrâneo Davide Rummolo, que ficou com o bronze (vejam a comemoração do técnico italiano no minuto 2:47). E a prata na prova foi para um nadador surdo! Terence Parkin, sulafricano, nadou na raia 1 e subiu ao pódio. Ele foi o sétimo atleta da história a disputar tanto a Olimpíada para surdos como a convencional. italia
10- A húngara Agnes Kovacs e os recordes que já duram 15 anos

No 200 peito feminino, Agnes Kovacs não segurou a emoção e chorou muito depois de vencer a prova na chegada. A húngara tinha sido bronze em Atlanta com apenas 15 anos de idade e vencido o Mundial de Perth em 1998. Era uma das favoritas, mas tinha como uma das grandes adversária Penelope Heyns, a única atleta até hoje a ganhar o 100 e 200 peito em uma mesma edição dos Jogos (1996). Heyns não foi bem no 200 em Sidney e terminou fora da fina. No 100, foi medalha de bronze. As marcas feitas por Agnes Kovacs em Sidney nas provas de peito (1’07”79 e 2’24”03) continuam sendo recorde húngaro até hoje, sobrevivendo à era dos trajes e a Katinka Hosszu. Screen Shot 2015-09-18 at 7.27.52 PM
11- Bicampeonato no 800 livre
Antes de Katie Ledecky parecia que os recordes do 400 e 800 livre de Janet Evans jamais cairiam sem trajes tecnológicos. Mas os EUA dominaram as provas de fundo: em 2000, o nome era Brooke Bennett, que levou o 400 e 800 livre (nessa prova, se tornou bicampeã olímpica, repetindo o ouro de Atlanta). 17 Sep 2000:  Brooke Bennett of the USA is congratulated by Diana Munz of the USA after setting the World Record as she wins the Gold Medal in the Womens 400m Free Finals during the 2000 Sydney Olympics at the Sydney Aquatic Centre in Sydney, Australia. Mandatory Credit: Shaun Botterill  /Allsport 12- A comemoração da quarta colocada A prova de 400 livre, não sei porque motivo, é uma das minhas lembranças mais vívidas sobre essas Olimpíadas. Bennett vence com 4’05”80, comemora muito, chora abraçada a Diana Munz (norte-americana que foi prata), e Claudia Poll também celebra muito seu bronze. Lembro também de ficar comovida pela quarta colocada, a jamaicana Janelle Atkinson, que ficou em quarto lugar e comemorou junto com as três medalhistas (apesar do nome, ela não é

parente de Alia Atkinson).

13- Show australiano no 1500 livre
No fundo masculino, um embate entre a nova e a velha geração australiana resultou em uma dobradinha para fechar a Olimpíada em casa com chave de ouro. Kieren Perkins tinha 27 anos, o bicampeonato olímpico e o recorde mundial da prova desde 1994, com um fortíssimo 14’41”66. Grant Hackett tinha 20 anos e havia ganhado o 1500 livre no Mundial de Perth, dois anos antes. O novato levou a melhor e venceu com 14’48”33, deixando Kieren em segundo com 14’53”59. Kieren se aposentou em seguida; Hackett destruiu o recorde mundial um ano depois, com 14’34”56: a única marca que sobreviveu a era dos trajes, demorando 10 anos para ser superada. Duas lendas! 858379-ian-thorpe



14- A prova da vida de Lars Frolander
Lars Frolander é um dos nadadores mais longevos da natação mundial: participou de nada menos que 6 Olimpíadas consecutivas (sim, ele esteve em todas as edições dos Jogos desde Barcelona até Londres!). Seu auge em resultados foi justamente em Sidney, vencendo o 100 borboleta na raia 6 com 52”00. Ele venceu dois favoritos anfitriões que nadaram nas raias centrais: Michael Klim, campeão mundial na época, e Geof Huegill, que ficou em terceiro e tinha feito o recorde olímpico nas semifinais (51”96). Ian Crocker foi quarto colocado.

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15- O início do reinado de Yana Klochkova
Yana Klochkova tinha 18 anos e fez uma competição incrível: venceu o 200 (2’10”68) e 400 medley (4’33”59, novo recorde mundial) e foi prata no 800 livre. Suas marcas feitas há 15 anos são fortes até hoje. Em Atenas, ela foi bicampeã olímpica das duas provas. Uma das maiores nadadoras de medley de todos os tempos.

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16- O bi de Tom Dolan e o início da maldição italiana
Outra prova que teve comemoração efusiva e que está bem marcada na minha cabeça até hoje: a vitória de Tom Dolan no 400 medley, se tornando bicampeão olímpico com 4’11”76, batendo seu próprio recorde mundial. Dolan foi recordista por 8 anos, sendo sucedido por Michael Phelps, e era conhecido por ter asma severa.

Um outro dado sobre essa prova, um pouco triste: o italiano Alessio Boggiato ficou em quarto lugar, 60 centésimos atrás do terceiro colocado. A parte triste é que ele repetiu o quarto lugar no 400 medley nas próximas duas Olimpíadas, Atenas e Pequim, e se aposentou sem ter conquistado uma medalha olímpica mesmo tendo sido campeão mundial em 2001. Por algum motivo, eu e meu irmão sempre acompanhávamos os resultados dele e torcíamos por ele. Confesso que, em Pequim, não torci nem por Thiago Pereira nem por Phelps: só queria que o Boggiato subisse no pódio. Uma pena que não deu…

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17- Três lendas em uma foto
E o que dizer dessa foto que reúne 3 lendas?? Dara Torres, Inge de Brujin e Jenny Thompson dividiram o pódio do 100 livre, que teve ainda Therese Alshammar.

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Inge foi ouro na prova, assim como no 50, enquanto Therese foi prata nas duas provas – assim como Lars Frolander, Therese é exemplo de longevidade, e já esteve em cinco edições olímpicas, com grandes chances de chegar à sexta ano que vem.

Jenny Thompson e Dara Torres dividiram o bronze nesse 100 livre. Para Jenny, essa foi uma de suas 12 medalhas olímpicas no total; para Dara Torres, na época com 33 anos, essa foi sua primeira “volta” às piscinas, depois de ficar 7 anos parada, desde Barcelona. Dara já era impressionante e a mais velha da seleção em Sidney, mas o que poucos podiam imaginar é que ela voltaria à natação competitiva de novo e, com 41 anos, ganharia uma medalha de prata em Pequim.

 

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