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Brasileiros: Kazan x Pan

9 de agosto de 2015

Editoriais, Mundial Kazan 2015, Toronto 20157 comentários em Brasileiros: Kazan x Pan

A comparação é inevitável. Ainda mais pela discrepância nos resultados. E na verdade, não havia o que ser feito. A proximidade das duas competições fez com que os nadadores tivessem que optar por uma. E, tratando-se de mídia e retorno, o Pan-Americano é muito mais visado pela imprensa e público brasileiro.

Isso pode ser bom e ruim. Bom, porque durante o Pan-Americano nossos nadadores foram ovacionados. Elogiados, queridos, heróis. A chuva de medalhas, as quebras de tabu, os incontáveis recordes pan-americanos. Mas isso, assim como em 2007 e 2011, cria a falsa expectativa (para quem não acompanha afundo) de que o Brasil é uma potência na natação. Ainda não é, nós sabemos. Mas eles não sabem. E aí, tanto no Mundial, como nas Olimpíadas, somos obrigados a ler manchetes com “fracassos”, “decepções”, “amarelou”. Ainda mais com a piora de tempos no Mundial, duas semanas após o Pan. Essa é a parte ruim.

O fato, meus caros, é que não é nada fácil nadar muito bem tanto em uma competição, como em outra. O problema aqui vai muito além de “sentir a pressão de nadar ao lado de Ryan Lochte e Katinka Hosszu”. Muito além de competir com todos os melhores do mundo e não só das Américas. E sim, na competição das Américas, os brasileiros foram muito bem. E essa conclusão não foi tirada no quadro de medalhas. Foi tirada pela quantidade de recordes sul-americanos e melhores marcas pessoais. Essa mesma conclusão permaneceria caso o Brasil ficasse em 10º no quadro geral, pelo menos para nós. Pois antes de mais nada, deve-se analisar a melhora de dentro pra fora.

Baseado nos resultados de Toronto, esperávamos sim melhores resultados. Os brasileiros não foram bem em Kazan. Mas deixo claro que o parâmetro não é o número de finais e medalhas do Pan e sim os tempos feitos na competição. E mesmo assim, os brasileiros estão longe de terem fracassado. E tenho certeza que os que pioraram, não estão nada felizes e satisfeitos com isso. Ninguém foi lá a passeio. Resultados ruins vêm, assim como os bons. Isso não é exclusividade dos brasileiros. Aliás, em questão de desempenho, o dos americanos foi muito inferior não só ao dos brasileiros, mas de todas as delegações. Proporcionalmente às expectativas, é claro. Afinal, um nadador só decepciona, se você espera algo dele. E você só espera algo de alguém que já fez por merecer. Então, respeite mais e julgue menos.

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7 comentários em "Brasileiros: Kazan x Pan"

  1. Carlos oliveira disse:

    Carolina: os usa em geral fazem as seletivas 3 semanas antes e vão muito bem em ambas…como eles fazem?

    • Carolina Moncorvo disse:

      Olá Carlos, como vai?

      O que percebemos em diversos casos é uma piora do miolo da equipe americana em Mundiais e Olimpíadas, se comparado à seletiva. Casos como Phelps, Lochte e Ledecky, que não precisam “se matar” na seletiva para se classificarem, deixam para estar 100% no momento da competição internacional. Mas a questão aí além de ser bem relativa, pode também ser cultural. O brasileiro já tem enraizada a ideia de que só se consegue nadar bem durante uma semana. A convicção afeta diretamente o desempenho físico. Além de fatores motivacionais, enfim… Realmente não tenho nenhum conhecimento científico para lhe dizer o motivo disso. Muito menos para afirmar que o desempenho brasileiro foi inferior unica e exclusivamente devido à proximidade das competições. Mas é um fato que afetou sim os nadadores, física e emocionalmente.

  2. Felipe Freitas disse:

    “A proximidade das duas competições fez com que os nadadores tivessem que optar por uma.” Concordo que não seja fácil nadar bem as duas competições, e a resposta é muito individual e não há evidências científicas, mas nesse nível fica muito raso justificar um resultado negativo com esse argumento, sendo que temos vários exemplos bem sucedidos de “double taper” no mundo. Grabich por exemplo manteve os tempos e conseguiu grandes resultados.

    “O principal objetivo deste ano são os Jogos Pan Americanos em Toronto. Kazan … será um novo desafio, pois será a primeira vez que passaremos pela experiência de fazer um polimento, e então sustentá-lo para competir novamente.”

    Monica Gherardi, Treinadora de Federico Grabich

    http://www.swimvortex.com/argentinas-federico-grabich-sprints-into-view-on-learning-curve-with-coach-gheradi/

    • Carolina Moncorvo disse:

      Oi Felipe, tudo bom?

      Não estou aqui para defender e opinar sobre o treinamento dos atletas, ao qual em sua maioria não tenho conhecimento.
      A questão é que para o Grabich, segurar o polimento deu certo. Assim como para Joanna Maranhão, que manteve o resultado de 4 provas das 5 que nadou. Daynara de Paula também manteve seu tempo… enfim, como você mesmo disse, é algo extremamente individual e relativo. E caso atente-se a todo o texto, verá que não usei isso como justificativa, é apenas um dado. Um fator bem relevante e que pode ter sido agravante para a maioria dos casos. Mesmo porque não sou ninguém para justificar a ação alheia.
      Como também disse no texto, vários brasileiros nadaram mal o Mundial e vai de caso a caso o motivo disso, mas estender polimento definitivamente não justifica uma piora de 5 segundos entre duas semanas.

      Abraço,
      Carol

      • Rodrigo G disse:

        Acho que a questão está em avaliar o tempo e não a colocação: Joanna Maranhão, Marcelo Chieriguini, Thiago Pereira, Bruno Fratus, Arthur Mendes, Manuela Lyrio, nadaram melhor ou bem próximos do tempo de Toronto, enquanto outros foram irreconhecíveis. O problema é que o mesmo tempo que deu medalha no Pan, no Mundial virou 13/14º lugar e ai fica a sensação de piora.

        Também não sei se vou falar uma besteira aqui: esses caras estão há um mês fora de casa. Saíram do Brasil, ficaram 2 semanas no Canadá, depois foram praticamente direto pra Portugal, poucos dias antes de ir pra Kazan, em fusos-horários / clima/ alimentação completamente distintos. Será possível nadar em alto nível sem qualquer tipo de perda com todas essas variáveis? Isso volta na questão da individualidade: uns sentem mais os efeitos físicos/psicológicos que outros…

  3. Felipe Freitas disse:

    Não posso opinar no treinamento dos atletas, primeiro porque não conheço e não sei o que estão fazendo, e também porque seria antiético da minha parte, mas em aprox 90% dos atletas houve uma piora de tempo do Pan para o mundial. Outros pioraram os tempos da eliminatória para as semis. Independente dos fatores que levaram aos resultados, as declarações sempre com algum tipo de desculpa ou justificativa do tipo, me preparei para o Pan, ou o nível estava muito forte que incomodam. Os valores investidos nessa seleção foram muito altos e deixaram de ser investidos em áreas mais carentes da natação brasileira, para um atleta dizer q o foco não era essa competição. Ainda mais depois de se matar para conseguir o índice, não há coerência no discurso

    • Carolina Moncorvo disse:

      Oi Felipe, concordo que tratando-se de resultados, a maioria deixou a desejar. E como eu disse, é algo que duvido que estejam indiferentes. Mas discordo quando diz sobre o discurso. Na maioria das entrevistas que ouvi, tanto no Mundial como no Pan, achei os brasileiros incomparavelmente mais conscientes e resilientes. Ouvi pouquíssimas desculpas. Lembro inclusive de ter comentado sobre uma entrevista do João de Lucca que depois dos 200 livre disse: “aprendi que não se deve brincar com esses caras”. Quem nadou mal falou: “nadei mal, não saiu hoje”. A vida é assim. Só que o complicado é que: se o atleta discursa com alguma desculpa, alguns expectadores o chamam de amarelões; se o atleta é sincero e resiliente, os mesmos expectadores dizem que não têm amor à pátria, que só querem ganhar dinheiro. A única justificativa diferente que ouvi pelo mal resultado foi do ombro de Cielo. Que também não estamos aqui para julga-lo.

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