Saudade do que está extinto

20 de março de 2015

Editoriais5 comentários em Saudade do que está extinto

Essa semana, postei sobre algumas competições que acontecem anualmente na Europa, como Troféo Citta de Milano e o Edinburgh International.

Não são – ainda – competições super tradicionais, mas me fizeram lembrar de algumas nossas, que simplesmente desapareceram. Competições tradicionais dentro do Estado de São Paulo ao menos, que eu me recordo bem, por já ter vivenciado. Mas que traziam nadadores de vários outros estados do país.

Lembram da Copa Almirante? Evento anual que acontecia na extinta piscina do Saldanha da Gama, em Santos. A competição era infanto-juvenil e era uma prévia do Campeonato Paulista de Inverno, quiçá Brasileiro. Todos os melhores nadadores do estado compareciam.

Ainda em Santos, competições como o Troféu Ernesto Dutra e a Copa Vermelhinha, as duas com disputa de categoria e Absoluto (e que voltou a ter a edição Master recentemente), traziam nadadores de fora do estado. Lembro de receber em minha casa atletas do Flamengo, por exemplo – outra lembrança que só a natação pôde me proporcionar quando nova foi esse “intercâmbio” esportivo, que durava só um fim de semana. Fora do orçamento da maioria dos clubes, nadadores das equipes anfitriãs recebiam atletas em suas casas durante essas competições – Ambas aconteciam no Internacional de Regatas. Para muitos, a piscina mais rápida do Brasil. Para mim, sem dúvida. Minha preferida, minha casa. E só de ser no Inter já era um atrativo.

Lembro-me bem também do Troféu Fausto Alonso, que acontecia anualmente no Yara Clube de Marília, em piscina longa, também com o “intercâmbio” e também atração do primeiro semestre.

Ou então, o Troféu Manoel Epstein que ocorria todo ano na Hebraica e o Troféu Alberto Dualib no Corinthians, ambos no segundo semestre.

A mais recente ausência, ao menos ao que parece, é a Copa Mercosul, que teve sua última edição em 2013 e a falta de patrocínio ano passado fez com que se extinguisse. A competição acontecia sempre final de julho/começo de agosto no Clube Curitibano e já presenciei edições com mais de 5 grandes equipes presentes. Já presenciei edições com recorde sul-americano.

Esqueci de alguma?

Ninguém dedicava um polimento a elas, ou quase ninguém. Nem era o objetivo principal do ano para a grande maioria. Mas, nossa, eram muito aguardadas… de graça. Eram aquelas competições em meio de temporada, que nos faziam nos manter competitivos.

Eu amava competir todas e odiava perder em qualquer uma delas. Podemos até atribuir essa excitação à idade, já que eu andava lá pelo meu petiz/infantil em sua maioria, mas que são inesquecíveis, são. E aposto que para todos que puderam vivencia-las.

Devo muito a essas competições o meu amor pela natação, algumas amizades e muita experiência. Sinto de verdade pelas gerações que não poderão desfrutar desses Torneios.

Esse é apenas um post saudosista, nostálgico. Mas não me faz deixar de questionar o motivo dessas extinções.

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5 comentários em "Saudade do que está extinto"

  1. Não se esqueça do Dom Peixoto, promovido na Unisanta. Gabi Roncatto foi revelada neste torneio.

  2. Giseli Pereira disse:

    Fiquei emocionada com essa matéria.
    Nesses Campeonatos, vivi grandes emoções que se tornaram grandes Lembranças.
    Me lembro exatamente que minha vontade de participar dessas Competições era igual ou até maior que nadar o “Troféu Brasil”!!!Nadar bem e GANHAR(risos)…
    Foram tão importantes para mim, que no Troféu Ernesto Dutra, Eu, Juliana Machado , Tatiane Zaccaro e Ellen Borgo, batemos o Record Sulamericano no revezamento 4×50 medley, em curta.
    Na Mercosul, eu, Michelli Fratus, Monique Ferreira e Juliana Kuri, batemos o Sulamericano do 4×50 medley em longa. Na Copa Vermelhinha, bati o record Brasileiro dos 50 Borboleta e no Troféu Manoel Epstein, nadei pela primeira vez para 1’05 de 100 costas.
    Então…Grandes lembranças!
    Tomara que que as gerações atuais e as futuras, tenham campeonatos como esse para lembrar com Emoção e Felicidade.

  3. Felipe disse:

    Não menos importante a COPA BOB’s que normalmente era realizado no Ibirapuera e o Troféu Gustavo Borges mais voltado para atletas não federados, porém sempre com público assustador ultrapassando a marca de 1000 participantes nas últimas edições…

  4. Peter Bydlowski disse:

    Parabéns pelo texto Carol. Realmente faz a gente remontar tudo o que vivemos, não como nadador no meu caso, mas como organizador. Porém eu preferia estar remontando mais uma Copa do Almirante. O consolo é que as lembranças deixadas são prazerosas. E mais uma vez você me prende nos teus textos.

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