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Entrevista exclusiva com Viviane Jungblut

15 de julho de 2017

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Viviane Jungblut estreia amanhã no Mundial de Budapeste, na prova de 10 km das maratonas aquáticas. A classificação aconteceu após chegar à frente da medalhista olímpica Poliana Okimoto na seletiva para a competição – além de Viviane, Ana Marcela Cunha representará o Brasil também. Essa será a primeira vez que Poliana não representará o Brasil em um Mundial desde 2006.

“Foi uma surpresa sim. Eu treino com a equipe de maratona, então a base é sempre um pouco maior, mas o foco era o Maria Lenk e estendemos o polimento para a maratona. Sabia que ia ser bem difícil pegar a vaga nos 10km e fui preparada para isso. Sou muito fã da Ana Marcela e da Poliana, elas abriram o caminho das maratonas aquáticas no Brasil. Só de chegar perto delas já foi incrível. Na hora fiquei meio surpresa, a ficha foi caindo aos poucos”, disse ela em entrevista exclusiva à Yes Swim.

Natural de Porto Alegre, Viviane acabou de fazer 21 anos e vive o melhor momento da carreira tanto nas piscinas como nas águas abertas. Ficou em segundo lugar na etapa de Setúbal da Copa do Mundo de maratonas aquáticas, chegando à frente de Ana Marcela e atrás apenas de Rachele Bruni, medalhista de prata nas Olimpíadas. Foi apenas a segunda vez que ela nadou uma etapa da competição, e a primeira com noção de posicionamento e contorno de boias.

O resultado em Setubal, além de ter vencido uma medalhista olímpica na seletiva a coloca inclusive como candidata ao pódio no Mundial. “Não sei se é para ficar mais tranquila mas tento não pensar tanto nisso. Meu objetivo é nadar bem e fazer o meu melhor lá”.

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Nas piscinas, bateu seu primeiro recorde sul-americano no Troféu José Finkel de piscina curta do ano passado, na prova de 400 livre com 4’03”68, o recorde brasileiro do 800 livre, com 8’19”57, e ainda venceu o 1500 livre com 16’21”59.

Com os resultados, garantiu classificação para o Mundial de piscina curta, realizado no Canadá, sua primeira competição absoluta de nível internacional. A pressão de nadar contra os ídolos pesou, e Viviane nadou acima de seus melhores tempos, terminando em 18o no 400 livre e 11o no 800 livre – com as marcas do Finkel, conseguia vaga na final das duas provas.

“Descansei uma semana depois do Maria Lenk e treinei forte para o Finkel, mas não tinha colocado o Mundial como objetivo. Já estava muito feliz com os resultados. No Canadá os resultados não foram bons, mas foi um aprendizado e vou levar para sempre. Foi minha primeira competição absoluta de nível internacional, eu via as pessoas que admirava e via na TV nadando do meu lado. No começo foi meio estranho. Acho que faltou administrar um pouco isso e acertar detalhes”.

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A divisão entre provas de maratonas e piscina não é de hoje: em 2014, Viviane se classificou para as Olimpíadas da Juventude, competição que levou apenas oito nadadores do Brasil, e o Mundial Júnior de Maratonas Aquáticas. Os dois foram realizados com apenas um mês de distância, em agosto e setembro. Viviane terminou em 5o no Mundial de Maratonas, na prova de 7,5km, e subiu ao pódio no revezamento misto – a primeira medalha do Brasil na história da competição. Nas Olimpíadas da Juventude, terminou em 9o na prova de 400 livre, a poucos centésimos de entrar na final.

Viviane sabe que provavelmente terá que escolher entre a piscina ou a maratona para atingir seu sonho, que é estar em uma Olimpíada. Recentemente, foi anunciada a inclusão da prova de 1500 livre nos Jogos Olímpicos, uma motivação a mais para Viviane, que gosta de nadar a prova. Por enquanto, ela prefere esperar para tomar a decisão.

“Quero ir ano por ano, mas sei que talvez em 2018 ou 2019 a gente tenha que optar por algum, mas eu gosto dos dois. Eu não sei mesmo. O palpite do meu técnico é que vai ser maratonas. Mas a gente prefere esperar para decidir”.

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Talento desde as categorias de base, Viviane foi campeã brasileira já no infantil 1, com 13 anos, na prova de 200 borboleta. Nadava medley e borboleta. quando passou a treinar com Mirco Cevales, no juvenil 1, começou a rodar mais crawl e decidiram juntos que valia a pena focar no fundo. Além de Olimpíadas da Juventude de Mundial de Maratonas Aquáticas, fez parte da seleção em Sul-Americanos Juvenis e esteve no Mundial Júnior de Dubai.

Viviane treinou quatro anos com Mirco até passar para a equipe de maratonas com Kiko Klaser, em 2015. 

“No começo foi um pouco complicado. Comecei a treinar maratonas e mudei completamente o treinamento, foi uma mudança bem grande, com mais metragem. Fiz um começo de ano de treinos bom até, mas no Maria Lenk que era seletiva para o PAN não nadei bem. Nem sempre a gente vai nadar bem, eu procurei não desistir e continuar treinando”.

Hoje Viviane roda em média 80km por semana, com metragem ainda maior na base. Ela concilia os treinos com as aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde cursa Engenharia de Alimentos. “Vou demorar um pouco mais para me formar, porque a faculdade é integral mas treino de manhã e a tarde então vou para aula a noite só, acabo fazendo menos cadeiras. O foco é a natação agora”.

Prata da casa do Grêmio Náutico União, Viviane nada desde criança. Ia com a mãe levar os irmãos para nadar e disse que não queria mais ficar só olhando, queria nadar também. “Sempre gostei bastante de nadar. E gosto muito daqui, dos técnicos, da equipe, coordenadores, diretores. Tenho uma boa estrutura em Porto Alegre, minha família perto”. A equipe vive um bom momento: além de Viviane, seus companheiros de treino Betina Lorscheitter e Fernando Pontes também representam o Brasil nesse Mundial de Budapeste.

“A gente passa tanto tempo treinando, acho que o que mais gosto na natação é chegar em uma competição e nadar bem, ver que tudo valeu a pena”, disse ela na semana passada, um dia antes de embarcar para Budapeste. Amanhã, Viviane estreia em Mundiais absolutos de águas abertas como novata mas, ao mesmo tempo, com resultados que deixam claro que não será surpresa se subir ao pódio. Como ela mesma diz, agora é hora de chegar lá e fazer o melhor – o resultado é consequência.

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