Entrevista – Joanna Maranhão

24 de janeiro de 2012

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Nada como começar o ano olímpico, entrevistando uma atleta garantida pra Londres. Joanna Maranhão tem um currículo invejável. Com apenas 16 anos já fazia história, terminando uma final olímpica na quinta colocação em Atenas, melhor resultado feminino em uma Olímpiada até hoje. Melhor nadadora brasileira de medley nos últimos 10 anos, não há nenhuma atleta no país que esteja perto de vencê-la em suas provas.

SWIM BRASIL- Como começou na natação?

JOANNA MARANHÃO – Comecei a nadar aos 3 anos de idade, porque nós tinhamos uma casa de praia a 50km de Recife, então minha mãe queria ter uma segurança maior pros filhos, além do que, meu irmão mais velho tinha asma, então era uma questão de saúde também.

SB – Você é uma das únicas pessoas que começaram como prodígio desde a categoria de base, e continuaram destaque até chegar a um nível mundial. Qual o segredo de se manter tanto tempo sobre pressão, dando resultados?

JM – Eu acho que eu tive muita sorte de ter ido treinar com o nikita bem cedo, aos 12 anos. Ele é uma pessoa que tá no meio há muitos anos, tinha experiência e soube esperar o momento certo. Alguns treinadores quando pegam um talento nas mãos ficam com “sede” de resultados e acabam atropelando as coisas sem respeitar a maturidade do atleta e isso atrapalha a longo prazo; por exemplo: só comecei a malhar depois dos 15 anos, até então minha parte física era somente circuito com peso do próprio corpo; e só comecei a fazer trabalho de força na musculação depois dos 20 anos. Meu corpo foi de certa forma respeitado, então hoje aos 24 anos ainda existem trabalhos que não fiz e que podem ajudar na performance, ainda bem!

SB – Quem são seus ídolos? Há algum atleta em que tenha se inspirado?
JM – No início quando comecei a pegar seleção, eu acompanhava bastante o Thorpe, até tirei foto com ele no Pan Pacific de 2002 no Japão. A nível nacional pra mim os dois maiores atletas que o Brasil já teve, englobando todos os expoentes, são o Rogério Romero e a Fabiola Molina, porque pra mim resultado em si não é nada, eu gosto deles pela postura dentro e fora d’agua, na rotina dos treinamentos e nisso, eles são melhores do que qualquer outro.

SB – Com apenas 24 anos, você irá já para sua terceira Olimpíada, já tem planos para se aposentar?

JM – Eu tinha minha vida toda planejada para parar depois de Londres mas aí veio a vida e me mostrou uma realidade “nova” na natação. Não sei quando vou parar,provavelmente em algum ano entre 2012 e 2016, não pretendo participar de uma quarta olimpiada a princípio, mas quem sabe, né?

SB – O que pretende fazer quando parar de nadar?
JM – Quero me aprofundar nos estudos, talvez fazer um mestrado, fazer uma viagem pela europa de, no mínimo, um mês nos países mais afetados pela segunda guerra mundial, ter filhos e poder estar mais presente na vida do Luciano (meu namorado), porque sei que ele vai querer lutar até 2016, não necessariamente nessa ordem, mas essas são coisas que tenho vontade de fazer.

SB – Quais seus hobbies, quando não está treinando ou competindo?

JM – Eu adoro sair pra dançar mas dei uma parada nos eventos que tiram minhas noites de sono, então ultimamente, tenho ido muito ao cinema, saido pra jantar fora e também estou aprendendo a cozinhar, uns programas mais lights! :)

SB – Qual o momento mais dificil que você passou na sua carreira?

 JM -Foi quando eu resolvi encarar os fantasmas do passado; eu tinha recalcado aquela experiência toda e achava que conseguiria fazer isso pro resto da vida mas chegou um momento que eu precisava vomitar aquilo tudo pra continuar a viver; muito antes do assunto vir à tona na imprensa eu já estava sofrendo bastante durante as sessões de terapia, quando eu consegui verbalizar tudo pela primeira vez eu me senti um lixo, eu tinha nojo de mim, não queria mais viver, só queria dormir; foram tempos dificeis mas pior do que isso foi encarar o individuo na audiência; eu me preparei, disse pra mim mesma que ia ser forte mas quando eu o vi de fato eu desmoronei, minhas forças foram embora e eu parecia uma criança pedindo colo. É complicado colocar esses sentimentos em palavras porque é uma cicatriz que vou levar pra vida toda, mas eu hoje consigo ver um sentido nisso tudo, consigo ver um bem maior sendo realizado através de toda experiência que tive, então, valeu a pena.

SB – Deixe um recado para os leitores do blog.
JM – Queria agradecer a oportunidade da entrevista e pedir aos leitores toda energia positiva não só pra mim, mas pra toda seleção que vai estar lá em Londres, pode até parecer bobagem mas só um pensamento positivo já é uma força gigantesca! Beijos!

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