Entrevista – Monique Ferreira

9 de julho de 2012

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Monique Ferreira é um dos maiores nomes da natação feminina no Brasil. Monique é famosa por fazer história, por seus diversos recordes sul-americanos batidos, por quebrar barreiras, como sendo a primeira (e por enquanto única) mulher a nadar abaixo dos 2 minutos nos 200 livre, por ser a maior medalhista Pan-Americana brasileira, com 6 medalhas, até se aposentar.

É a atual recordista sul-americana dos 200 livre, tem 2 Olimpíadas no currículo, sendo 1 final olímpica nos 4 x 200 em Atenas, 8 vezes campeã sul-americana e se manteve 15 anos consecutivos na seleção brasileira.

SWIM BRASIL – O que te levou a começar a nadar? Fale sobre seu inicio na natação.

MONIQUE FERREIRA – Eu comecei na natação aos 3 anos por incentivo da minha mãe, que queria que eu aprendesse a nadar. Com 6 anos, quando teria que ser  federada para continuar na equipe, minha mãe tentou me tirar para priorizar os estudos e eu não quis e ai que começei a competir e não larguei mais.

SB – Quando você era mais nova, já sonhava em se tornar atleta profissional?

MF – Meu sonho de ser atleta profissional não foi buscando exatamente o profissionalismo. O sonho e a vontade  eram de estar nas viagens de seleção. Cada vez mais que alcançava uma seleção, queria alcançar a próxima. Isso foi se tornando frequente, depois de um tempo meu foco era só esse: estar em todas. Eu não admitia mais ficar de fora do time brasileiro e essa pressão colocada em mim mesma me movia, era um objetivo, quase uma obsessão. Quando saía o indice do campeonato do momento, focava no tempo e treinava em cima daquilo, não me permitia não fazer, e a maioria das vezes alcancei.

SB – Quais Clubes já representou?

MF – Muitos: Botafogo, Fluminense, Flamengo, Unisanta, Pinheiros e Flamengo novamente.

SB – Qual foi o momento mais importante na sua carreira de nadadora?

MF – Foram vários. Os recordes sul-americanos, cada vez que batia, me davam uma felicidade imensa. Cada índice alcançado também. Mas a final olímpica e o 7º lugar em Atenas do 4×200 foi incrível.

SB – E qual foi o momento mais difícil na carreira?

MF – O momento que reconheci que minha lesão me atrapalhava demais e que meu rendimento estava caindo. Não só por conta da lesão, mas também pelo corpo não conseguir ter a mesma vitalidade  e recuperação para aguentar os treinos pesados.

SB – Quais os seus hobbies quando não estava na piscina treinando? 

MF – Adoro ir à praia, então sempre que dava eu ia. No período que morei em São Paulo, ia de vez em quando ao litoral sul, a praia me apaziguava. Também gostava muito de “cuidar da vaidade”. Em momentos de folga, sempre procurava reparar os danos causados pela piscina, então ia ao salão e fazia compras de produtos de beleza inovadores.

SB – A aposentadoria é uma decisão muito difícil para o atleta, conte um pouco como foi o seu processo.

MF – Foi um processo bem difícil e demorado. Acho que essa transição para todo atleta de alto rendimento é complicada. No meu caso, embora tivesse um curso superior, eu não queria atuar na área. Foi ai que comecei a me incomodar. Fiquei perdida e, por conta disso, adiei o fim da minha carreira, nadei 2 anos a mais do que eu gostaria de ter nadado. Não me arrependo, já que tinha assumido compromisso em 2009 com o Exército Brasileiro e queria muito cumprí-lo. Além disso, queria muito encerrar nadando no meu clube de coração, o Flamengo.

SB – O que do esporte te motivou a continuar por tanto tempo?

MF – A rotina de atleta embora dura, era uma rotina que gostava e já estava bastante acostumada. O convívio com os amigos e viagens também me motivavam. E claro, a questão financeira.

SB – Agora que parou de nadar, qual a sua nova rotina? 

MF – Agora trabalho no COB diariamente, em um turno de 9 horas, na Unidade de Desenvolvimento Esportivo (Gestão de Preparação Esportiva). Minha unidade é responsável pela preparação dos atletas que estão em condições de buscar medalhas no Pan-americano e Jogos Olímpicos de 2012 e 2016. O interessante é que eu pensava que após me aposentar como atleta, não teria uma rotina tão exaustiva, pensava que se eu aguentava uma rotina de treinos pesados, qualquer coisa seria levada com facilidade. Agora o cansaço gerado pelo meu trabalho é diferente, é físico mas não é muscular, é principalmente mental, mas é uma rotina que estou adorando, ainda mais por estar no meio que amo e por poder fazer por outros atletas o que já fizeram um dia por mim.

SB – Você ainda pretende acompanhar os resultados da natação? 

MF – Estou sempre acompanhando. Primeiro porque gosto, e depois porque estou envolvida diretamente com a preparação dos grandes atletas brasileiros.

SB – Deixe um recado para os leitores do blog.

MF – Aos atletas, sugiro que sigam os seus sonhos sempre. Que treinem e se dediquem, que saiam da zona de conforto, pois qualquer realização vem de muito esforço. Eu sou muito grata por cada treino sofrido, cada vez que levantei da cama cedo para me exaurir na água, pois não só me ajudou a alcançar meus objetivos como atleta, mas também auxiliou a me tornar uma pessoa disciplinada e determinada, a agir sob pressão, etc. Às pessoas que podem estar passando pela transição que passei, digo que não tenham medo, mais cedo ou mais tarde vai surgir uma nova rotina, na qual irá se adaptar tanto quanto uma rotina de atleta, que por mais cansativa que seja, eu sei como é “viciante”.

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0 comentários em "Entrevista – Monique Ferreira"

  1. Antonio Junior disse:

    Boa Monique!
    Parabéns pela grande carreira e sucesso no COB.

  2. Eny Senna disse:

    Parabéns Monique, pela extraordinária carreira de sucesso na natação e agora no
    COB. Você é um exemplo para os jovens atletas!

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