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Magnussen: frustrações, amadurecimento e o que vem pela frente

23 de fevereiro de 2017

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1o de agosto de 2012, Londres. James Magnussen nada na raia 4 e Nathan Adrian na raia 5. Final olímpica do 100 livre masculino, uma das provas mais aguardadas de qualquer edição dos Jogos. Com 47”52, Adrian chega na frente. Um centésimo atrás, Magnussen fica com a prata.

Nada mal estrear em Olimpíadas com uma prata aos 21 anos, exceto se considerarmos que o mesmo Magnussen havia nadado para 47”10 nas seletivas de seu país alguns meses antes, na época o melhor tempo da história da prova sem trajes de borracha.  Ao final da prova, na ocasião, o entrevistar havia perguntado o que diria aos homens ao redor do mundo que tinham visto a prova. A resposta “Preparem-se”.

“Eu gostaria de poder dizer que faria diferente se fosse hoje. Mas como você diz a um cara de 20 anos que ficou dois anos seguidos sem perder uma prova, quando perguntando se acha que vai ganhar, que ele deveria dizer “Não sei”. É difícil. Eu não me arrependo porque acho que um velocista de 20 anos, na verdade qualquer velocista, precisa ter esse tipo de confiança. Mas eu com certeza não farei isso de novo. Eu aprendi com isso e é tudo que você pode fazer, aprender.”

A declaração foi dada ao jornal Adelaide Now, em um ótimo podcast gravado no início da semana. Além desse episódio, Magnussen comenta o caso do Stilnox em Londres, como foi assistir seu conterrâneo Kyle Chalmers vencendo o 100 livre no Rio e  os planos para o futuro.

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Além de favorito no 100 livre em Londres, Magnussen era um dos integrantes do revezamento 4×100 livre do país, na época campeão mundial e também favorito. Na final, os australianos acabaram em quarto lugar, e foi revelado depois que os nadadores fizeram parte de trotes e bebedeiras antes da prova, devido ao uso de Stilnox. O remédio não é proibido e é usado para ajudar a induzir o sono, mas quando combinado a bebida alcóolica pode causar consequências ruins. Depois do episódio, a Federação Australiana baniu o remédio e os seis integrantes do revezamento pediram desculpas publicamente pelo comportamento.

“Na época eu pensei, sou parte do time, todos fizemos isso, todos temos que levar a culpa. Mas olhando para trás, se eu fosse um dos mais velhos do grupo dizendo a Kyle [Chalmers] ou outros para tomar Stilnox e se trancar em um quarto juntos, eu com certeza sairia e assumiria uma culpa maior. Eu assumi muito da culpa, embora fosse um dos mais novos e não tivesse ideia do que fosse o remédio”, disse ele, alfinetando atletas como Eamon Sullivan e Matt Target, os mais velhos da equipe.

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O período pós Londres foi complicado. “Acho que o mais perto que cheguei de depressão foi naquela época. Eu tinha medo de sair de casa quando voltei para a Austrália, estava preocupado que as pessoas estivessem decepcionadas comigo. Em grande parte estava envergonhado. Eu me sentia uma pessoa menor por não ter ganhado o ouro e levou um tempo e alguns exemplos de outras pessoas para entender que isso não é uma característica definidora para sua vida. Claro que é o auge chegar ao ouro olímpico. Mas acho que isso não define sua vida”.

Um ano depois, em Barcelona, Magnussen conquistou o bicampeonato Mundial d0 100 livre, vencendo a prova em Barcelona.

Depois disso, ficou fora do Mundial de Kazan por estar se recuperando de uma cirurgia no ombro.

Na seletiva australiana para o Rio-2016, acabou sem vaga para a prova individual, se classificando apenas para o revezamento 4×100 livre. Curiosamente, o roteiro da prova foi parecido: Cameron McEvoy venceu a seletiva com 47”04, superando a melhor marca da história sem trajes. Kyle Chalmers ficou em segundo. No Rio, Chalmers se sagrou campeão e McEvoy nadou mais de um segundo acima de sua melhor marca, ficando em sétimo. Foi reportado que McEvoy estava doente e com febre – chegamos a perguntar isso ao nadador ainda no Rio, e ele gentilmente mudou de assunto e exaltou a vitória do colega.

Sobre a prova, que assistiu da arquibancada, Magnussen foi bem honesto: “Eu estava torcendo para Kyle e fiquei animado quando ele ganhou. Mas quando vi os tempos e soube que o tempo que fiz em Londres para a prata teria ganho o ouro no Ri, claro que doeu um pouco”.

Olhando para frente, Magnussen disse que não nadará o Campeonato Australiano de 2017, e está consequentemente fora do Mundial deste ano, dado que a competição é a seletiva do país para formar a seleção. Seu plano é fazer um plano pesado de treinos, participar do circuito Europeu de competições, e focar no Commonwealth Games, de 2018, que será realizado na Austrália.

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“Voltei a nadar depois do Ano Novo e senti como não me sentia há três anos, mesmo sem treinar, então estou bem animado. O ombro está bem. Quando pulei na água dia 2 de janeiro, percebi na hora que ele tinha uma estabilidade e força que não sentia nos últimos 18 meses. Sinto que estou nadando mais rápido do que nunca”

“Quando olho para os últimos 4 anos, vejo que sou mais alto, cresci 3cm desde Londres. Estou mais forte e capaz de fazer coisas que não conseguia do ponto de vista de preparação física. Espero estar no auge no Commonwealth Games. Nunca nadei uma grande competição em casa, e do jeito que o 100 livre é hoje, você tem o nadador mais rápido da história (McEvoy) e o campeão olímpico (Chalmers). Então se eu ganhar o Commonwealth, é essencialmente como ganhar um título mundial. É assim que eu vejo e é assim que vou me preparar para isso. Vou colocar muito esforço e esse será meu objetivo principal”.

 

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