Especial: Volta ao mundo com Poliana Okimoto – Capítulo 1

8 de março de 2014

Entrevistas, Especial, Maratonas Aquáticas14 comentários em Especial: Volta ao mundo com Poliana Okimoto – Capítulo 1

Por Carolina Moncorvo e Beatriz Nantes

Na verdade, voltas. Em um levantamento esdrúxulo sobre quantos metros a nadadora já possa ter nadado na vida, chegamos ao mínimo número de quase 2 voltas no mundo. DUAS. À nado! Já poderíamos acabar o especial aqui. Por favor, nos avise se você já nadou mais do que 50 mil quilômetros na sua vida. E olha que estamos ignorando as voltas ao mundo literais viajadas para competições. E digo mais, ignoramos também as metragens nadadas nessas próprias competições! São (no mínimo) 2 voltas ao mundo de TREINO. [corrigido]

Tabela Volta ao Mundo

Poliana Okimoto é daquelas nadadoras-prodígio que você provavelmente já viu na lista de recordes insuperáveis da categoria de base. Desde o petiz 2. São recordes que já duram quase 20 anos. Na piscina, a evolução ao longo dos anos não correspondeu aos feitos de petiz/infantil, seja por imaturidade ou até mesmo por ter sido mal lapidada no decorrer dos anos. Alguma coisa estava errada e precisava ser mudada. Mas o quê?

Desde que aprendeu a nadar, com dois anos, Poliana adorava treinar – uma fundista nata. “Meu irmão mais velho se escondia, saía na rua, fazia o diabo para não ir e eu brincava de achar ele. Porque eu amava ir na natação, mesmo quando só tinha prova de 25 e eu era última. Sempre gostei de ir no treino, nunca faltei”. Poliana treinava no Munhoz, polo importante do fundo na época.

Por volta de seus 12 anos, quando começaram as provas mais longas, tudo caminhava bem. Ismar Barbosa, seu treinador na época, soube trabalhar muito bem o corpo e principalmente a cabeça da jovem promessa. Ainda aos 13, participou do primeiro absoluto, terminando em quarto lugar nos 800 livre por poucos décimos. A primeira medalha veio no final do mesmo ano, na mesma prova, durante o Finkel de 1996. “O Ismar era super bravo, mas me ensinou muito. Hoje, sou uma alteta disciplinada e dedicada, muito em razão da minha base. Depois dessa medalha, ele falou: ‘Poliana, está vendo essa medalha? Olhe bem pra ela, curte. Amanhã, você põe na sua gaveta e esquece dela.’ O que ele quis dizer: ‘Ganhou? Legal, parabéns, mas vamos continuar porque tem mais coisa pela frente.’ ”.

Poliana e Ismar, que seguiram juntos do Munhoz para o Corinthians, almejavam Atenas 2004. Por mais que, em 1997, ainda faltassem 3 anos para os Jogos de Sidney, o foco era a longo prazo. “Ele mandava a gente escrever os objetivos a curto e a longo prazo, e o longo sempre foi Olimpíadas”.

Em 2000, ainda com Ismar, Poliana nadou um ano pelo Vasco. Com o fim do projeto do clube carioca, ela voltou ao Corinthians, agora para treinar com Bezerra. Nessa época, a fundista rodava por volta de 100km semanais. 10 mil metros pela manhã, 10 mil metros à tarde. Chegou a nadar bem um ano, fazendo índice para o Mundial de Moscou, mas depois, “não aguentava mais treinar”. Esse período ainda coincidiu com a transição escola/faculdade. Começou Psicologia em 2001, mas após o 1º semestre, não se identificou. Em 2002, começou a estudar Letras em São Paulo e ao mudar para Santos e treinar na Unisanta, continuou o curso por lá. Foi sua primeira (e rápida) passagem na equipe que voltou a defender esse ano. Rápida, mas fundamental: foi lá que Poliana conheceu Ricardo Cintra.

Poliana não deixou de ter bons resultados por todo esse período, continuou subindo ao pódio em campeonatos absolutos. Na maioria das provas, Poliana continuava ganhandomas não melhorava mais seus tempos.

Captura de Tela 2014-03-08 às 19.21.54

Atravancada há alguns anos, sem melhorar tempo, frustrante para quem gostava tanto de treinar e nadar, Poliana já não pensava mais em Olimpíada. “Sinceramente, eu não pensava mais em Olimpíadas nessa época. Pensava na próxima competição, em terminar minha faculdade de Letras, em continuar ganhando uma grana e morando em Santos. Mas não pensava nos meus rendimentos na piscina. Achava que, no dia que terminasse a faculdade, eu ia parar de nadar”. Seus objetivos diluíram com o tempo, transformando-se em uma mera pretensão em concluir a faculdade.

Mas, afinal, o que deu errado? Na verdade, nada. Somos a favor de que tudo acontece por um motivo. Mas foi um técnico sumido e um domingo de manhã zapeando pelo controle remoto que mudaram tudo. Calma, chegaremos lá.

A fundista continuou em Santos em 2004, treinando na Unimonte e competindo pelo Pinheiros. Seu novo treinador não soube aproveitar o diamante em suas mãos e, literalmente, abandonou a atleta no meio do trajeto. “O Ricardo já tinha se formado em Educação Física e começou a pegar uns treinos quando ele faltava. Até que faltando uns 15 dias para o Finkel, o técnico sumiu do mapa.”

“Eu me sentia responsável por ela”, relembra Ricardo Cintra. “Comecei a treina-la para ver o que dava para fazer. Eu lembro que na época ela fazia umas médias para 1’14” de A1. Pô, eu era velocista e fazia esses tempos, achava estranho. Falei para ela que tinha que rodar para 1’10”, pelo menos”. No fatídico Finkel, Poliana levou os 1500 livre com sua melhor marca. Começava ali uma das parcerias de maior sucesso da natação brasileira.

Cintra, como bom observador, percebeu o que deveria ser óbvio. Provas de piscina são muito curtas para a capacidade de resistência da nadadora. A própria Poliana disse: “Dos 7 aos 11 anos, eu era muito ruim, um terror. Quando eu não chegava em último, eu vibrava. Mas naquela época, as provas eram curtas: 25 metros, no máximo 50. Então, desde pequena minhas fibras rápidas não prevaleciam. Quando comecei a poder competir provas de 400 e 800, comecei a me destacar”.

Pouco depois do Finkel, no dia 28 de novembro de 2004, Cintra ligou a TV e viu a Travessia dos Fortes que estava sendo transmitida. “Eu estava em São Paulo, na casa dos meus pais, e ele me ligou falando: liga a TV na Globo! Ano que vem você vai fazer essa prova”.

E aqui, você já pode ver o capítulo 2!

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14 comentários em "Especial: Volta ao mundo com Poliana Okimoto – Capítulo 1"

  1. fernando disse:

    Erro nos calculos… diametro é diferente de circunferencia (no caso da terra uns 40.000 km)

  2. fernando disse:

    Erro nos calculos… diametro é diferente de circunferencia (no caso da terra uns 40.000 km)

  3. Kassius Vargas Prestes disse:

    O diâmetro é o dobro do raio, para dar uma volta na Terra, é preciso percorrer sua circunferência, que é de 40.075km.
    https://www.google.com.br/search?q=circunfer%C3%AAncia+da+terra&oq=circunfer%C3%AAncia+da+terra&aqs=chrome..69i57j69i60l3j69i61j69i59.3615j0j7&sourceid=chrome&espv=210&es_sm=93&ie=UTF-8

    Ainda assim é mais que uma volta na Terra, mas não mais que 5.

    Parabéns à Poliana.

  4. Kassius Vargas Prestes disse:

    O diâmetro é o dobro do raio, para dar uma volta na Terra, é preciso percorrer sua circunferência, que é de 40.075km.
    https://www.google.com.br/search?q=circunfer%C3%AAncia+da+terra&oq=circunfer%C3%AAncia+da+terra&aqs=chrome..69i57j69i60l3j69i61j69i59.3615j0j7&sourceid=chrome&espv=210&es_sm=93&ie=UTF-8

    Ainda assim é mais que uma volta na Terra, mas não mais que 5.

    Parabéns à Poliana.

  5. ramonverdugo disse:

    E sempre teve um belo começo , as primeiras braçadas, os puxões de orelhas sem isso não seria nada. Né Poliana ?
    Bjs, Ramon Verdugo

  6. ramonverdugo disse:

    E sempre teve um belo começo , as primeiras braçadas, os puxões de orelhas sem isso não seria nada. Né Poliana ?
    Bjs, Ramon Verdugo

  7. Daniel Takata disse:

    A mais detalhada matéria biográfica sobre a Poliana já publicada! Logo vai virar referência para qualquer consulta sobre ela! Parabéns Beatriz e Carolina!

  8. Daniel Takata disse:

    A mais detalhada matéria biográfica sobre a Poliana já publicada! Logo vai virar referência para qualquer consulta sobre ela! Parabéns Beatriz e Carolina!

  9. […] Clique aqui para ver o Especial Poliana Okimoto feito pela Yes Swim em 2014 […]

  10. […] uma carreira tão bem-sucedida e precoce, Poliana conseguiu alcançar esse feito com 32 anos. Diego Hypolito com 30 anos. Eles só […]

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