Budapest+2017+FINA+World+Championship+Day+KTcH8ok5yKNl

O primeiro dia de Mundial

23 de julho de 2017

Mundial Budapeste 2017Nenhum comentário em O primeiro dia de Mundial

O Mundial de Budapeste começou à altura de um Mundial: tempos fortíssimos, marcas históricas sendo quebradas, disputas emocionantes, tudo com um toque adicional da torcida húngara, apaixonada por natação e presente em peso na arquibancada. É sempre uma honra presenciar um momento como esse para os nadadores: a competição do ano, o momento pelo qual todos eles (e suas equipes técnicas e famílias) se preparam por tanto tempo.

O início de ciclo olímpico é muitas vezes um momento de trocas e mudanças, mas o que vimos hoje foi, em geral, a permanência de estrelas conhecidas que, mesmo após o ano olímpico, já estão nadando em altíssimo nível. A permanência de Sun Yang, que conquistou o tricampeonato mundial de 400 livre. Desde 2012, quando foi campeão da prova na Olimpíada de Londres, Sun Yang só perdeu o 400 livre uma vez, justamente nos Jogos do Rio do ano passado. A vitoria de hoje foi muito comemorada pelo chinês, e ficamos surpresas em ver uma grande torcida para o país na arquibancada.

20348179_1453375064716157_268626486_o

Permanência de Katie Ledecky, que também se sagrou tricampeã e mantém a incrível marca de jamais ter perdido uma prova individual em Olimpíadas e Mundiais. O tempo não foi o que ela esperava e, tratando-se de Ledecky, sempre há a expectativa de um recorde, mas mesmo assim é incrível ver sua dominância e sua força.

Permanência e auge de Sarah Sjostrom, que hoje quebrou uma marca fortíssima, tornando-se a primeira mulher a nadar abaixo de 52” no 100 livre. Sarah foi campeã mundial pela primeira vez aos 15 anos, em Roma, na época da era dos trajes. Depois disso, não subiu ao pódio no Mundial seguinte, em Shangai, nem nas Olimpíadas de Londres – para muitos, parecia apenas uma das beneficiadas com os trajes. Sarah teve a resiliência de persistir após a frustração de Londres, e desde então nunca mais perde uma prova de 100 borboleta. Mais do que isso, tem se mostrado uma das melhores velocistas do mundo com seus tempos de 50 e 100 livre, além de ser muito forte no 200 livre.

Screen Shot 2017-07-23 at 8.00.05 PM

Foi também um dia de recomeços e superação de pequenos ou grandes traumas de nadadores mais e menos conhecidos. Conversando com o técnico Arthur Albiero, ele nos disse que Kelsi Worrell ainda vivia o pesadelo do Rio, quando ficou em 9o lugar no 100 borboleta e não passou para a final. Hoje, passou à final com o terceiro tempo e disse ao técnico que estava aliviada.

Recomeço, em algum sentido, também para Cesar Cielo, que ficou fora da seleção nas Olimpíadas do Rio. Na zona mista, ele falou aos jornalistas brasileiros que quando subiu ao pódio no Mundial de Doha, pensou que aquela podia ser sua última medalha de Mundial, mas depois, quando se classificou para o revezamento 4×100 livre para Budapeste e começaram a pensar no que podia ser feito, pensou que talvez subisse de novo – como fez.

Foi muito legal ver a alegria dos quatro brasileiros, Gabriel Santos dizendo que estava realizando um sonho, Bruno Fratus falando sobre não ter nadado bem no Rio e como isso doeu, Chierighini dizendo que ainda não acreditava e Cielo falando sobre a adrenalina pré prova, como gosta de ser testado e exaltando seus companheiros.

Revezamento 4x100 livre, medalha de prata. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 23 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Revezamento 4×100 livre, medalha de prata. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 23 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

A prova foi o ponto alto da noite, não apenas pela performance dos brasileiros como pelo histórico terceiro lugar da Hungria, que levou a torcida à loucura. A posição veio após a desclassificação da Austrália e Itália mas em nada diminui o incrível feito dos nadadores, que ainda estavam atônitos após o pódio. Lindo também ver o choro da nadadora Ajna Kesey, que ficou em sexto lugar no 400 livre melhorando muito seu tempo e mal conseguia responder a entrevista transmitida para todos na Duna Arena logo após a prova.

Ao final do dia, perto das 22h30, eu e a Carol ainda estávamos no media room terminando posts e análises da prova. Esse não é nosso trabalho formal – a Yes Swim é um hobby que fazemos por amor, e tiramos férias de nossos trabalhos para estar aqui. No primeiro dia, já tenho certeza que valeu a pena.

Links do dia:
Brasil é vice-campeão mundial no 4×100 livre masculino
Sarah: Primeiro tempo no borbo e recorde mundial no livre
Nicholas e Henrique na final do 50 borboleta
Katie Ledecky confirma favoritismo nos 400 livre
Sun Yang é tricampeão mundial do 400 livre
Joanna Maranhão bate recorde sulamericano do 200 medley

 

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

« »