Nicholas Santos. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 24 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O segundo dia de Mundial

24 de julho de 2017

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Até o segundo dia de competição não tivemos nenhuma zebra, nenhum grande favorito perdendo sua prova. Adam Peaty no 100 peito, Sarah Sjostrom no 100 borboleta, Katinka Hosszu no 200 medley, Katie Ledecky no 400 livre: todos campeões no Mundial de Kazan e nas Olimpíadas do Rio que mantiveram sua hegemonia em Budapeste.

No caso das três mulheres, o período de dominância é ainda maior: todas elas estão invictas em suas provas desde 2013. É um privilégio viver uma era de grandes nadadores como essa.

No 100 borboleta, também disputado desde a estreia do Mundial, temos três nadadores que venceram duas edições da competição e Sarah Sjostrom disparada como a maior vencedora de Mundiais, agora com quatro vitórias. Assistir Sarah nadando não deve em nada a Katie Ledecky, a sueca é uma das melhores nadadoras que já vimos em ação por muito tempo. Cada queda na água é um tempo mais forte, ontem ela bateu o recorde mundial do 100 livre e hoje chegou perto de sua própria marca no 100 borboleta. Ela é incrível.

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No 200 medley, disputado desde que o Mundial de Esportes Aquáticos surgiu, em 1973, nunca tivemos uma nadadora com mais de duas vitórias (a única bicampeã foi a norte-americana Katie Hoff, vencendo em 2005 e 2007). Com o título de hoje, Katinka ganhou pela terceira vez consecutiva, tornando-se a maior ganhadora de Mundiais da história da prova. Foi muito emocionante ver a torcida gritando pela nadadora antes da prova, durante, ao final e no pódio, cantando junto o hino húngaro. Na entrevista coletiva, Katinka disse que nunca tinha vivido nada parecido. “Você nunca vai estar preparado para isso”.

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Talvez hoje tenha sido o dia com maior concentração de amantes da natação que já presenciei na vida. A soma das pessoas na arquibancada – alguns fãs de natação, outros fãs de Katinka, outros apreciadores do esporte – os jornalistas, muitos deles apaixonados por natação, os pais dos atletas e os próprios atletas, que como disse Katinka, tem na natação sua vida. Ela falou muito sobre sua Associação de nadadores na coletiva de imprensa, e como os nadadores colocam tanto esforço na natação dentro d’água e deveriam colocar fora também. Seu posicionamento e sua coragem são muito louváveis.

Vendo esses nadadores em ação, é inevitável não reparar também na sede de vitórias. Manter o ritmo de treinos depois de um ano olímpico não é fácil, e estamos aqui vendo todos em altíssimo nível, desafiando recordes mundiais e melhorando ainda mais. Por outro lado, para quem foi mal no Rio, o Mundial do novo ciclo olímpico é sempre uma nova chance. Ontem falamos de Kelsi Worrell espantando seus pesadelos e chegando à final: hoje, a norte-americana treinada pelo brasileiro Arthur Albiero subiu ao pódio do 100 borboleta, ficando em terceiro lugar.

E o que falar de Nicholas Santos? Chegamos depois de algumas perguntas já feitas na zona mista para falar com o nadador após o pódio, e ele perguntou rindo: “vão perguntar sobre eu ser velho?”. Já foi muito falado, mas é inevitável não realçar a longevidade do nadador, o mais velho a subir a um pódio de Mundial, aos 37 anos. Repetir a prata não é fácil – o tempo do brasileiro dessa vez foi 30 centésimos mais forte. É muito inspirador vê-lo nadar e ver a alegria e leveza de sua entrevista. “Eu estou no plus agora. Já passei da fase de ficar insatisfeito. Estou curtindo demais, tudo”.

Nicholas Santos. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 24 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Nicholas Santos. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 24 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Guilherme Guido, que ano passado não foi bem no Rio e parou nas semifinais, dessa vez chegou a sua primeira final de Mundial de longa. Ele não gostou do tempo, mas lembrou que o importante é estar na final e que na final todos tem chance. Como deixou bem claro a japonesa Yui Ohashi, que nadou na raia 8 e conquistou a prata na prova de 200 medley. Os jornalistas do Japão estavam abaixo da minha mesa na tribuna de imprensa e foi muito legal vê-los torcendo para a nadadora, um pequeno ponto diante de uma multidão incentivando Katinka. A japonesa parecia não acreditar e comemorou muito.

Que bom que ainda faltam 6 dias.

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