Bruno Fratus. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 29 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O sétimo dia de Mundial

29 de julho de 2017

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O penúltimo dia de Mundial de Budapeste teve uma performance histórica de Caeleb Dressel, a continuidade do show de Sarah Sjostrom e uma medalha incrível de Bruno Fratus. Não faltaram elementos para fazer esse um dos dias mais legais da competição.

Caeleb Dressel teve um dia tão bom que fica difícil encontrar comparativos. Nadar duas provas como 50 livre (25”15) e 100 borboleta (49”86) com um intervalo de cerca de meia hora e, nas duas, vencer com melhor tempo da história sem trajes é algo sem precedentes. Somando à medalha conquistada no revezamento 4×100 misto, Dressel se tornou o primeiro homem na história dos Mundiais a ganhar três ouros no mesmo dia. Além disso, foram seis ouros na competição – se confirmar o favoritismo no revezamento 4×100 medley amanhã e ganhar o sétimo, se igualará a Michael Phelps como único homem a ganhar sete ouros em um mesmo Mundial.

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“As pessoas gostam de comparar algumas pessoas com outras. Não sei se gosto, mas sei que deve ser inevitável. Ele é uma pessoa e eu sou outra”, disse quando perguntado sobre possíveis comparações em Michael Phelps. Dressel contou ainda que não se considera um nadador de borboleta “acho que vou ter que rever isso”, que não consegue pensar em Tóquio 2020 sendo que o Mundial ainda nem acabou, e contou bem humorado que tem uma prova de álgebra daqui a dois dias. Vale a pena ver sua coletiva de imprensa, uma das mais legais até agora.

Duas medalhas do dia foram particularmente especiais de assistir: a prata de Bruno Fratus no 50 livre e o ouro de Emily Seebohm no 200 costas. É muito legal ver um brasileiro subindo no pódio em uma prova como essa: fazendo o melhor tempo da vida (21”27), ganhando de grandes nadadores, sendo um dos protagonistas de um dos 50 livres mais fortes já nadados. Mas a medalha não é legal só para quem é brasileiro, é especial para todos que já nadaram mal em algum momento, passaram por um momento difícil e conseguiram se reerguer. Não gosto da palavra redenção e nem acho que se aplica, mas o próprio Fratus disse que os Jogos do Rio foram um pesadelo. Fazer o melhor tempo da carreira menos de um ano depois de viver algo como isso é admirável.

Bruno Fratus. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 29 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Bruno Fratus. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos. Duna Arena. 29 de Julho de 2017, Budapeste, Hungria. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O mesmo vale para Seebohm: ano passado ela chegou ao Rio como campeã mundial do 100 e 200 costas e não só não subiu no pódio como, ficou fora da final da segunda prova. Sua vitória hoje com melhor tempo da vida mostrou  que ela está melhor do que nunca. Depois das Olimpíadas, ela descobriu que tinha endometriose e operou, e virou uma espécie de embaixadora da doença.

Outra coisa em comum entre Fratus e Seebohm foi como os dois exaltaram seus companheiros depois da prova: Fratus falando sobre Michelle Lenhardt, ex nadadora olímpica brasileira, e Seebohm sobre Mitch Larkin, medalhista olímpico no Rio na prova de 200 costas.

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É difícil não perceber que Katie Ledecky não está em seu melhor momento. O que não a impede de continuar ganhando (quase) tudo. Não sei o que é mais notícia: o fato dela ter piorado 8 segundos ou o fato de ter ganhado com tempo melhor que qualquer mulher na história mesmo piorando 8 segundos. Ela disse que não colocou expectativas de tempo para esse ano e que era bom levar o ouro para os EUA, mas era difícil não notar que estava chateada com a prova, tanto no pódio, em que pouco sorriu, como na coletiva de imprensa.

Sarah Sjostrom, que parece nadar todas as provas da competição, bateu o recorde mundial do 50 livre. Agora, a sueca tem os recordes mundiais do 50 e 100 livre, 50 e 100 borboleta. E ainda é muito competitiva no 200 livre, prova em que tem uma medalha olímpica. Performance incrível da sueca.

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