A visão de quem está lá dentro, por Gabriel Ogawa

12 de dezembro de 2014

Mundial Doha 20141 comentário em A visão de quem está lá dentro, por Gabriel Ogawa

Pedimos a Gabriel Ogawa, finalista do revezamento 4×200 livre recordista sulamericano, que nos descrevesse um pouco como é estar em um Mundial e como foi a experiência de fazer parte da melhor seleção da competição:

por Gabriel Ogawa
Mundial de natação é outra realidade, atletas com níveis, preparações e aquecimentos diferentes. Aproveitei a viagem para absorver muita coisa! Nem preciso falar da piscina. Está em um outro patamar comparado às piscinas do Brasil, placas Omega, blocos de saída, “prainha” nas bordas, padrão Fina de temperatura da água, que acho que era acima de 26,3 graus, não tenho certeza. E fora todo o clima dentro do complexo. O hotel também era 5 estrelas, nem preciso comentar…

A nossa rotina durante a competição era a seguinte: a competição cumpria muito bem o programa horário de provas, então você podia planejar bem em que ônibus iria sair. A FINA disponibilizava os ônibus, que saiam a cada 20 minutos do hotel. Aí era só tomar o café e sair no horário planejado.

Captura de Tela 2014-12-12 às 11.43.32Na  hora de ir para a prova você tinha que passar por dois balizamentos, o “Call Room” e o “Final Call Room”. No Call Room eles verificavam se sua touca estava dentro do padrão da FINA. Se não estivesse, marcavam seu nome e te davam uma touca da FINA com patrocinador, Yakult e ARENA. Também verificavam seu traje e o nome pela credencial. Passando por tudo isso, você sentava em umas das fileiras com as balizas demarcadas.

Dentro do Call Room tinha uma geladeira com garrafas de água e também uma televisão que transmitia a competição. No Final Call Room, tinham as mesmas fileiras e duas televisões, uma passando a competição e outra mostrando as parciais de cada raia. Quando te chamavam, você dava sua credencial e só retirava depois da prova, numa mesa ao lado da piscina. Depois de nadar você pegava a credencial, passava pela área da imprensa e pegava seus pertences.

Nas finais, no Final Call Room eles davam o adesivo para colocar na roupa com o nome do país (no caso de revezamento) ou com o último sobrenome do atleta (prova individual). Você só podia tirar depois de chegar na raia.

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A gente ficava na área de massagem, com as geladeiras com garrafas de água e Yakults dentro e televisões transmitindo a competição. Na piscina de soltura (que era em outro andar da de competição) tinha um telão, também transmitindo a competição.

A parte da bandeira foi um momento único… Uns 20 minutos antes, os representantes de cada país se organizavam em um corredor onde já estava demarcada a ordem e lugar que você tinha que esperar. De lá era entrar e todo mundo te olhar e aplaudir. Não sei explicar, foi um momento único, felicidade e emoção total. É como se fosse ganhar e ver sua bandeira com o hino… só que sem a medalha e o hino! hahahaha Mas me senti honrado e agradeço a comissão técnica por ter me escolhido.

Captura de Tela 2014-12-12 às 11.49.44

Foto: Satiro Sodré/SSPress

Ter um Mundial para ver os ídolos e como eles se comportam é muito legal, mas antes de viajar eu falei pra mim mesmo que esse deslumbre ia ficar fora d’água. Dentro d’água eu ia focar na minha prova. E deu certo!

As finais brasileiras foram muito legais! A maioria das finais a galera melhorava o tempo ou ficava numa colocação boa. A nossa torcida estava bem unida! Quem não ia nadar na etapa já estava na arquibancada no começo da competição ou parabenizando o companheiro na área de massagem. Foi muito legal e muito unido mesmo! Todo mundo acompanhando o resultado de cada um.

Presenciar recordes é muito legal, tem todo um “show” de luzes, placar, narrador.. ele narrava todas as provas falando o recorde da prova, parciais que o cara que estava liderando estava fazendo. Bem legal mesmo.

Ver o pódio era outro momento muito massa. Todos respeitam os atletas que estavam no pódio, batendo palmas. Vivenciar o momento de uma medalha de ouro do Brasil e escutar o hino arrepia demais! Dá muita motivação para querer chegar naquele lugar mais alto do pódio.

Gabriel Ogawa foi finalista do revezamento 4×200 livre no Mundial de Doha.  Atleta do Pinheiros, foi a primeira vez que defendeu o Brasil em Mundiais absolutos.

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Um comentário em "A visão de quem está lá dentro, por Gabriel Ogawa"

  1. Marisa Zattar disse:

    Parabéns Gabriel, que venham muitos outros campeonatos e muito sucesso!

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