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A campanha do Brasil em Cingapura

1 de setembro de 2015

Mundial Júnior Cingapura 2015Nenhum comentário em A campanha do Brasil em Cingapura

Terminou no domingo o Mundial Junior de natação, disputado na Cingapura. O Brasil saiu da competição com quatro medalhas, todas conquistadas em provas individuais, masculinas, e olímpicas. Brandonn Almeida foi ouro no 1500 livre e prata no 400 medley, Vinícius Lanza foi prata no 100 borboleta e Felipe Ribeiro foi bronze no 100 livre. Foram ainda 18 finais, sendo 15 em provas olímpicas.

Embora o número de medalhas tenha sido inferior às conquistadas na edição do Rio, em 2006 (5 medalhas), vemos essa como a melhor campanha do Brasil em todas as edições da competição. Dizemos isso levando em conta o fato de todas as medalhas terem vindo de provas olímpicas e da importância que o Mundial Junior ganhou ao longo das edições, com as principais potências da natação valorizando cada vez mais o evento e mandando seu time completo.

Não se trata de desmerecer os feitos do Rio-2006 nem de valorizar apenas conquistas olímpicas (somos defensoras de que todas as vitórias importam e devem ser exaltadas, sejam olímpicas ou não, em piscina de 50 ou 25), mas de olhar um pouco além da mera comparação do número de medalhas.

Os três medalhistas tem plenas condições de estar no time olímpico ano que vem. Brandonn já tem conquistas no absoluto: foram duas medalhas no último PAN, e o atleta só ficou fora de Kazan para priorizar o Mundial Júnior. Vinicius Lanza vai brigar pela vaga no 100 borboleta depois de sua excelente marca na semifinal da prova (52”81), que está a apenas 45 centésimos do índice. Felipe Ribeiro é candidato ao revezamento 4×100 livre – e disse, após a competição em Cingapura, que quer brigar também pela prova individual. Palavras dele:

“Acho que tenho condições de, no Torneio Maria Lenk, estar nadando para o índice [48”99]. Não é uma tarefa impossível e eu vou atrás disso. Tudo que estamos passando será importante no futuro, e o futuro é a seletiva Olímpica. Todas as seleções que participei foram importantes para eu estar aqui e reconheço a importância do apoio para a nossa modalidade.”

Embora não tenha subido ao pódio, Pedro Spajari também faz parte desse grupo. Seu tempo de 48”87, feito na semifinal do 100 livre, já está abaixo do índice olímpico e o coloca como um concorrente muito forte para o revezamento e mesmo a prova individual. Aos 18 anos, Spajari piorou o tempo na final e terminou em quarto lugar, além de ter sido quinto no 50 livre.

Pedro Spajari. Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 29 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Pedro Spajari. Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 29 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Vale lembrar que desses quatro nadadores, apenas Vinicius Lanza e Pedro Spajari melhoraram seus tempos nas principais provas. Brandonn e Felipe não conseguiram fazer suas melhores marcas mesmo subindo ao pódio e os dois deram declarações após as provas mostrando que, embora felizes com as medalhas, os dois esperavam mais – uma autocrítica que consideramos importante para quem quer brilhar no absoluto.

Também achamos importante ver como esses atletas se saíram em uma competição de categoria de nível mundial. Parece trivial, mas não é: é diferente nadar como favorito em um Brasileiro de categoria e Sulamericano juvenil e se deparar com as estrelas dos EUA, da Austrália, do mundo todo. Foi a primeira vez que vimos os melhores dessa geração competindo entre si, e nem todos se saíram bem.

Vejamos o caso de Michael Andrew, por exemplo. O norte-americano saiu da competição com 5 medalhas e ganhou o título da FINA de melhor na competição, por ter marcado o maior número de pontos. Apesar disso, sua campanha foi cheia de altos e baixos: nas provas individuais subiu ao pódio em “apenas” uma prova olímpica e ficou fora do pódio em algumas de suas especialidades: 100 peito, 200 medley, 100 borboleta. De novo, não valorizamos apenas o pódio, e não ignoramos o quão massacrante foi o programa de provas do nadador na competição (8 provas individuais e dois revezamentos), talvez um passo muito grande.

Vinicius Lanza, Brandonn Almeida, Felipe Souza. Medalhistas do Campeonato Mundial Junior no Merlion Park. 31 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Vinicius Lanza, Brandonn Almeida, Felipe Souza. Medalhistas do Campeonato Mundial Junior no Merlion Park. 31 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

O ponto é o quanto um Mundial de categoria é importante para que os nadadores vejam como é difícil performar em uma competição desse nível, como Mundial é diferente de torneio continental e como é segurar a pressão com tanta gente boa de todos os lugares do mundo. Mundial é isso, absoluto é isso, a experiência é importante e nossos nadadores provaram que estão preparados. Lembramos de quando entrevistamos Bruna Primati, ano passado, e ela falou sobre a importância de nadar o Youth Festival, na Austrália, quando saiu de lá se sentindo “muito ruim” e isso a impulsionou desde então. “A gente viu como era diferente, como a gente estava atrás. Deu uma acordada em mim. Fiquei me sentindo ruim, muito ruim na verdade, os tempos eram tão bons”. 

Destacamos ainda as performance de Rafaela Raurich, a mais nova da competição e única finalista no feminino, na prova de 200 livre. Raurich, Maria Paula Heitmann e Gabrielle Roncatto são três nadadoras que tem totais condições de brigar pela vaga do revezamento 4×200 feminino, mas a tarefa não será nada fácil. Vai ser interessante ver a evolução das três até o ano que vem e também das atuais titulares, Larissa Oliveira, Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro e Joanna Maranhão, que certamente estão de olho nos resultados das mais novas. Essa concorrência é ótima para a evolução da prova no país.

Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 24 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Campeonato Mundial de Natacao no OCBC Aquatic Centre. 24 de agosto de 2015, Cingapura. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Por fim, destacamos ainda os nadadores Henrique Painhas, que chegou à final do 100 borboleta e terminou em 6o, e o tempo de abertura de Giovanny Lima no revezamento 4×200 livre (1’49”18). Embora não sejam nomes tão “óbvios” como os citados acima, as duas performances foram muito boas e os nomes também vão brigar por um lugar no time olímpico.

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