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Coitadinho não

18 de setembro de 2015

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Daniel Dias é um dos maiores atletas paralímpicos do mundo em todos os esportes. Aos 27 anos, ele soma 15 medalhas paralímpicas, sendo 10 de ouro, e tem 14 títulos mundiais – 7 deles conquistados na última edição, em Glasgow.

Vale muito a pena ver a entrevista que o nadador deu ao UOL no início do mês, falando de toda sua trajetória até aqui. Bem humorado, ele fala sobre a trajetória, o início no esporte e conta curiosidades como esta:

“A minha mãe ficava muito brava porque a gente morava em Camanducaia (MG) e tinha que viajar para São Paulo para arrumar as próteses. Eu ia pra escola e a minha mãe pedia: ‘Não joga bola hoje’. Mas eu não aguentava, sentava, ficava olhando, e dizia: ‘Não vai dar’. E era justo nesses dias que a prótese quebrava, tinha dia que eu voltava de SP, ia jogar e quebrava a perna de novo, literalmente. O parafuso soltava e ficava uma parte [da prótese] na perna e a outra solta no chão.”

Se pudesse, Daniel disse que praticaria todos os esportes.

Ainda relembrando a infância, o atleta comenta o preconceito que passou na escola sem se vitimizar. No começo, os colegas queriam tocá-lo para ver se era de verdade, o chamavam de Saci e aleijado. Nessa época, Daniel ganhou um concurso de pintura na escola e diz que isso foi fundamental para tirar o preconceito dele mesmo.

“Eu acredito que ganhei porque estava bonito mesmo, tinha até cavalo voando (risos). Mostrei pra mim primeiro que eu tinha que tirar o preconceito de dentro também. E aquele momento quebrou as barreiras, os colegas e eu fomos vivenciando a cada dia, eu ia me superando e eles também, então é algo que eu lembro muito, que eu não tenho dúvida que fez uma grande diferença.”

Daniel faz piadas e fala firme: diz que o pior de tudo não é o preconceito, mas o olhar atravessado das pessoas. E diz que nada para mostrar que os atletas não são coitadinhos.

O atleta deve ser o principal nome da seleção e um atleta importante para alcançar uma meta ambiciosa do Brasil: terminar as Paralímpiadas no top 5 do quadro de medalhas. E essa não deve ser a despedida do nadador, que pretende se aposentar depois de Tóquio-2020. No Rio, a expectativa é grande por competir em casa com a presença da torcida.

“A gente vê pela TV e emocionava, mas viver aquilo, as pessoas cantando com você, eu já pude competir duas paraolimpíadas longe de casa e já foi bacana, mas imagina a torcida competir junto com você. É de fazer os adversários tremerem a perna, quem tem, é claro, porque no esporte paraolímpico tem uns que não têm, então não há como tremer a perna (risos), mas de dar um susto nos caras.”

Na mesma linha, a VISA, patrocinadora dos Jogos, divulgou um comercial sensacional com o mote do olhar atravessado para os atletas paralímpicos. Há menos de 1 ano dos Jogos, de uma vez por todas: atletas paralímpicos são atletas como qualquer um, não coitadinhos. Vale a pena ver:

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