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O dia olímpico mais legal que já existiu

16 de agosto de 2018

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16 de agosto de 2008.

Há exatamente 10 anos, na piscina do Water Cube, acontecia o penúltimo dia de finais das Olimpíadas de Pequim.

Para quem não gosta de esporte, aquela era mais uma noite de sexta como qualquer outra no Brasil: sair da aula ou do trabalho, ir para casa descansar ou para a balada começar o fim de semana.

Para quem acompanha natação de longe, um dia que podia parecer trivial: Michael Phelps ia nadar mais uma final, provavelmente ganharia. “Nada de novo”.

Para os espertões que gostam de cornetar (essas pessoas surgem aos montes nas Olimpíadas), mais um dia para um brasileiro chegar à final com chance de ouro e provavelmente não conseguir.

Mas para nós, que amamos natação de um jeito que as pessoas mal conseguem entendem, aquele 16 de agosto foi um dos dias olímpicos mais incríveis que já existiu – para muitos, o mais legal de todos. De todos os dias inesquecíveis que o esporte já nos proporcionou, se me fosse permitido voltar pra um só e viver esse dia de novo, eu escolheria 16/08/2008.

O programa de provas trazia uma semifinal e quatro finais; dentre elas, o 100 borboleta masculino e o 50 livre masculino.

Primeiro foi o 100 borboleta.

Phelps chegava àquele dia com a incrível marca de seis medalhas de ouro somadas na competição – incluindo aquele 4×100 livre masculino surreal. Para todos os fins, esse revezamento já ultrapassava a cota razoável de provas quase perdidas ganhas no finalzinho.

Mas não…

Aquela final era tensa. Milorard Cavic, nadando na raia 4, tinha condições reais de superar o americano. Se perdesse aquela prova, Phelps ainda poderia igualar o recorde de Mark Spitz de 7 ouros em uma mesma edição dos Jogos, porque ainda tinha mais uma prova pela frente. Mas não daria para superar. Com 6 ouros e 2 provas faltando, o sonho que parecia impossível estava muito perto de se tornar realidade. Só mais duas…

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Mas tinha um Cavic no caminho. O sérvio passar na frente nos primeiros 50 e Phelps nem aparecer entre os três primeiros era esperado. O americano crescer no final e Cavic cansar também era. Mas todas as vezes que a gente vê essa prova, parece que dessa vez não deu: dessa vez parece que faltaram 2 metros, que o sonho tinha acabado. Mas não…

Em uma chegada ainda mais impressionante do que o revezamento 4×100 livre, com uma braçada a mais que Cavic, Phelps ganhou. Por um mísero centésimo, ele conquistava seu sétimo ouro em Pequim, na prova mais espetacular de sua carreira. O nadador que desafiou o impossível dentro d’água desafiava também nossos sentidos.

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No Brasil, o coração continuava acelerado. Pela primeira vez, eu senti o que meus amigos sentem em uma final de jogo de futebol. O tempo parecia não passar. Estávamos a poucos minutos daquela final do 50 livre.

Cielo já tinha feito o que até então era a prova de sua vida: bronze no 100 livre, nadando na raia 8. A primeira medalha da natação brasileira em Pequim. Após a prova, ele falou em entrevista que agora traria o ouro no 50 livre.

Aquele dia inteiro demorou para passar até chegar a hora exata de apresentar os nadadores para aquela final. Mas quando chegou, foi muito rápido.

Em 21 segundos e 30 centésimos, nadando na raia 4, Cielo chegou ao único lugar que nenhum nadador brasileiro jamais havia chegado.

A primeira – e até hoje única – medalha de ouro da natação brasileira, na prova mais rápida da natação. Com recorde olímpico. Explodindo na comemoração dentro d’água. Com aquele choro no pódio. Com os nadadores da seleção brasileira invadindo a área da piscina para abraçá-lo – incluindo Gustavo Borges, dono de quatro medalhas olímpicas e uma das inspirações de César Cielo.

Esse é um daqueles dias inesquecíveis, uma daquelas datas em que pessoas diferentes, em vários lugares do país, se lembram onde estavam, com quem estavam, o que sentiram, se choraram ou gritaram. Pessoas que nem se conhecem e podem não ter nada em comum, exceto o amor pela natação.

O melhor esporte do mundo.

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