Condições da água nas Olimpíadas preocupa maratonistas

5 de fevereiro de 2020

Maratonas Aquáticas, Tóquio 2020Nenhum comentário em Condições da água nas Olimpíadas preocupa maratonistas

Há fortes preocupações entre os atletas que irão participar das Maratonas Aquáticas nas Olimpíadas de Tóquio, agora em agosto. Aliás, não só nas Maratonas, como também no Triathlon.

Odaiba Marine Park, local onde acontecerão ambas modalidades, apresentou má condições na qualidade da água, tanto no aspecto de temperatura, quanto pureza. A água do local foi avaliada com níveis elevados de E. Coli, bactéria que pode causar sérias intoxicações, mais conhecidas como coliformes fecais.

Haley Anderson, americana medalhista olímpica dos 10km em Londres, foi questionada por um seguidor sobre os padrões de qualidade da água e sua preocupação com risco de saúde, e perguntou se é um assunto que está sendo abordado entre os competidores. Haley respondeu:

“É algo que a gente já teve que lidar no passado e continua tendo que lidar agora. Para Tóquio, nossa prova não está sendo só comprometida com a qualidade da água, mas também devido a temperatura (28 a 29ºC), que é bem inseguro. Também não há nenhum local como plano B, o que não devia ser nem negociável. É algo que já conversamos entre os competidores, e já falamos publicamente e não fomos ouvidos até agora. É difícil ter que ir para os Jogos Olímpicos, preocupados com nossa segurança, porque não estou confiante que a FINA e o COI tenham as mesmas preocupações que os atletas.”

Em relação à temperatura, nadadores ainda subestimam os danos que podem ser causados com a combinação de esforço e temperatura elevados. Pela regra da FINA, uma água é propícia para competição de Maratonas Aquáticas se estiver entre 16 e 31ºC. Mas temperaturas acima de 28ºC já colocam os nadadores em grandes riscos durante a prova.

Ousama Mellouli, campeão olímpico nas Maratonas em 2012, participou do Teste Evento na Odaiba Marine Park no final do ano passado. Teste Evento é sempre organizado previamente às Olimpíadas para testar todas as estruturas das competições, além de logísticas e organização.

“Foi a prova mais quente que eu já competi. Estava bom até os 2km, mas daí eu me senti muito mal de tão quente que estava.”, disse o nadador tunisiano.

Bom sempre lembrar que o americano Fran Crippen morreu em 2010 durante uma prova do circuito da FINA em Doha, devido à elevadas temperaturas da água. Nessa mesma prova, Allan do Carmo foi hospitalizado, junto a outros dois nadadores, e vários outros reclamaram da água muito quente – estava cerca de 30ºC.

Ainda sobre Odaiba Marine Park, estava marcado ano passado um Teste Evento do Triathlon paraolímpico, mas a organização teve que cancelar devido à qualidade da água. Estava 2x acima do limite do nível máximo permitido pela ITU (International Triathlon Union). Não à toa os testes foram feitos na mesma época que acontecerão as provas, em que o calor está bem mais intenso.

Há diversas ações sendo feitas para limpar as águas do local, e organização de Tóquio 2020 garantiu que continuará a fazer todos os esforços possíveis para garantir que todos os atletas perfomem nas melhores condições.

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