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Os 12 melhores fatos do Pan-americano de Toronto

19 de julho de 2015

Toronto 20152 comentários em Os 12 melhores fatos do Pan-americano de Toronto

Não foi nada fácil escolher apenas 10 momentos dessa competição extraordinária. Ainda mais que não há qualquer critério para essas escolhas. Foi tão difícil que tivemos que aumentar pra 12. Elas são simplesmente as que mais nos marcaram ao longo desses 5 dias, ou as mais significativas de modo geral. Fatos que ficaram de fora, você pode encontrar nos 5 melhores momentos diários.

Essa é nossa opinião, mas caso tenha outro grande momento em mente que acredita merecer entrar nessa lista, fique à vontade para opinar.

Seguem nossos 12 melhores momentos do Pan de Toronto:

12 – A (tão esperada) evolução dos 400 livre

Tudo bem que não foi pódio. Também não é recorde sul-americano. Sequer foi a melhor prova de Manu na competição. Mas os 4’10”92 foram muito expressivos, baseado em nossa perspectiva. É novo recorde brasileiro em uma prova que ficamos anos sem grande evolução. O Brasil possui um 4’13” desde 2003 com Monique Ferreira. A própria chegou a baixar um pouco seu recorde na época dos trajes. Manuella Lyrio chegou a baixar mais um pouquinho duas vezes, mas todo esse processo gerou apenas 1 segundo de melhora. Em 12 anos! Nesse meio tempo, a prova cresceu sem controle internacionalmente. Inclusive, Andreina Pinto, venezuelana, bateu o recorde sul-americano com 4’06”02.

Com 4’10”, ainda estamos longe de destacar-se em nível mundial, mas é um tempo que, por exemplo, já dá para torcer pelo índice olímpico de 4’09”08 ano que vem.

Manuella Lyrio.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 15 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

11- 4×100 livre feminino

Mais do que o tempo em si, que é 3 segundos melhor que o antigo recorde sul-americano, o que mais nos marcou nessa prova foi a atitude das brasileiras. Algo que eu, particularmente, nunca havia visto. Abrir ao lado da campeã olímpica Alisson Schmitt e não se abalar? Feito. Segurar as americanas e canadenses durante toda a prova? Feito. Parciais de gente grande? Feito. Cair para fechar ao lado do mito Natalie e da nada pequena Chantal e ondular ao lado da americana de igual para igual? Feito.

Esses 3’37”39 de Larissa Martins, Gracielle Hermann, Etiene Medeiros e Daynara de Paula são (uma bela) consequência. Tempo que daria uma vaga tranquilamente na final do Mundial de Barcelona, com uma sexta posição. Essa vaga olímpica tá na mão, só falta por no bolso.

Larissa, Graciele, Etiene, Daynara. Revezamento 4x100 livre. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 14 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Larissa, Graciele, Etiene, Daynara. Revezamento 4×100 livre. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 14 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

10- Guido em sua melhor fase

Tive a sorte de presenciar a evolução desse atleta. Não me refiro apenas a tempos, mas a postura. Agora pai, Guilherme Guido passa agora uma imagem madura e responsável a quem convive com ele. Hoje, é daqueles atletas “caxias” que chegam mais cedo para alongar, ativar a musculatura, fazer fortalecimento e prevenção. Hoje, Guido vê a importância de todo o processo, como nunca. E isso, com certeza, é uma das razões para que tenha voltado a fazer o melhor tempo da vida, após 6 anos. Na prova individual, fez uma bela disputa com o medalhista olímpico Nick Thoman. Estabeleceu o melhor tempo sem trajes da carreira. E mais legal foi ve-lo entrando com a mesma postura no revezamento, de novo ao lado de Thoman, mas agora batendo na frente com o quarto melhor tempo do mundo e novo recorde sul-americano: 53”12.

Guilherme Guido.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

9- A “redenção” das americanas

É forte essa palavra. Como se elas devessem algo para alguém. Não, não devem. Pelo contrário, são protagonistas da natação mundial, ao qual somos todos gratos. Justamente por isso, tenho certeza que não estavam satisfeitas de estar no Pan-Americano. Não pela competição em si, mas porque isso implica na ausência no Mundial de Kazan. As três serão ausência sentida, pelo menos por nós. Esqueci de apresenta-las: Natalie Coughlin, Alisson Schmitt e Caitlin Leverenz, prazer. Dispensam apresentações. Mas tavam lá em Toronto, no time B americano.

E trataram a competição como qualquer outra de nível internacional. Dando o melhor de si e se redimindo com tempos que lhe dariam a vaga para o melhor time americano, inclusive tempos que podem ser medalha em Kazan. Caitlin Leverenz fez o quarto tempo do ano nos 400 medley e quinto nos 200 medley, prova onde foi bronze em Londres. Alisson Schmitt fez o oitavo tempo dos 200 livre, prova em que é campeã olímpica. E Natalie nadou (simplesmente) para o melhor da vida tanto nos 50 livre, quanto nos 100 costas abrindo o revezamento 4×100 medley. Esse último, terceiro melhor tempo do mundo e melhor marca pessoal sem trajes.

TORONTO, ON - JULY 18:  Natalie Coughlin, Alison Schmitt , Katie Meili, Kelsi Worrell of the USA celebrate after winning the Women's 4x100 Medley Relay  Fiinals at the Pan Am Games on July 18, 2015 in Toronto, Canada.  (Photo by Al Bello/Getty Images)

Photo: Al Bello/Getty Images

8- Os três melhores tempos da competição

Teve gente voando em Toronto. Pessoas que acabaram não recebendo um destaque merecido, no meio de tanto acontecimento notável. Dentre esses fortíssimos resultados, três devem ser mencionados e relembrados:

– Santo Condorelli já havia subido ao pódio nos 100 livre com bons 48”56, terminando com a prata. Mas foi abrindo o revezamento canadense onde herdou uma posição de número 1 do mundo na prova, empatado com Vladimir Morozov: 47”98.

– Já falei e falo mais uma vez. Não é uma boa decisão fazer a seletiva um ano antes. A americana Katie Meili é prova disso: baixou quase 2 segundos de seu tempo da seletiva, fazendo o segundo melhor tempo do ano nos 100 peito com 1’05”64, atrás apenas da recordista mundial Ruta Meilutyte. Mais que isso, nos últimos 2 anos, apenas Jessica Hardy nadou abaixo disso dos EUA, e foi justamente no último Mundial, onde levou a medalha de bronze.

– E a outra prova disso é Kelsi Worrell, terceiro melhor tempo do mundo nos 100 borboleta com 57”24. Worrell também não estará no Mundial e terá que torcer para que suas compatriotas a representem dignamente.

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7- Thiago, o melhor da história panamericana

De forma meio conturbada, Thiago Pereira conseguiu o feito de melhor atleta da história panamericana, conquistando 23 medalhas. Esse feito já era esperado, mas não foi glorioso como imaginávamos. Primeiro, porque Thiago não estava em sua melhor forma, provavelmente descansando para o Mundial. Segundo, pois houve dois vieses: a desclassificação dos 400 medley e a prata nos 200 medley, que o deixou sem nenhum ouro individual e sem nenhum tri-campeonato.

Nada disso tira o mérito de nosso Mister Pan. Que ultrapassou Gustavo Borges como maior medalhista brasileiro (19 medalhas) e o cubano Erick Lopes como maior medalhista em Panamericanos (com 22 medalhas).

Thiago Pereira. Jogos Pan-americanos, na casa Brasil. 18 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

6- 100% de aproveitamento

Falando em algoz, Henrique foi 100% de aproveitamento em Toronto. Foi ao Pan para disputar uma única prova, no último dia. Até ajudou na classificação do 4×200 livre, mas estava lá para os 200 medley. É difícil quando um nadador vai a uma competição para nadar apenas uma prova. É aquilo, não há tempo para entrar na competição nem se recuperar de algum mal resultado. Ou você nada bem, ou mal. E é isso. Henrique, já acostumado em focar-se apenas nessa prova, fez muito bem seu serviço. Foi campeão em cima de Thiago Pereira, com melhor tempo da carreira e terceiro melhor tempo do ano: 1’57”06.

Henrique Rodrigues. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 18 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

5- 100% de aproveitamento (2)

Assim como Henrique, França foi para nadar uma prova: 100 peito. Tudo bem que nadou duas vezes (na individual e no revezamento), mas saiu também com 100% de aproveitamento. Mais que isso, baixou sua marca pessoal, fazendo o tempaço de 59”21, terceiro melhor tempo do mundo. Ainda ajudou o revezamento 4×100 medley a conquistar o ouro. A estratégia do brasileiro na prova, aliás, é bem interessante. A mudança de frequência dos primeiros 50 para os últimos 50 é nítida e até estranha. Após a segunda filipina, Felipe França acelera como se estivesse nadando uma série de broken. É surpreendente como consegue acelerar a frequência desse jeito e continuar pegando água. Estratégia bem ousada dele e de seu treinador Sérgio Marques.

Felipe Franca. Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

4-  O maior desencanto 

Desencantou. João de Lucca já era um dos principais nomes da história dos 200 livre em jardas no NCAA. Mas em piscina longa, a prova não vingava. Não no nível que tem condições ao menos. Mas em Toronto, usando a mesma estratégia progressiva de sempre, o brasileiro conseguiu quebrar a barreira dos 1’47”, batendo o recorde sul-americano com 1’46”47, nono melhor tempo do ano.

Joao de Lucca.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 15 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

3- O garoto da seleção

Garoto só pela idade, mas se for se basear em seus tempos, estamos falando de um baita homem. Brandonn Pierry foi esse ano o único brasileiro a classificar-se pras três principais competições do ano: o Pan, o Mundial Absoluto e o Mundial Júnior. Teve que abrir mão de uma, no caso a última. No Pan, saiu-se melhor que a encomenda. Um ouro, um bronze, duas melhores marcas pessoais, um recorde brasileiro e um recorde mundial júnior. Seu tempo nos 400 medley, inclusive é o 16º melhor tempo do ano. Brandonn é daqueles nadadores que melhoram a cada competição, deixando a gente mal acostumadas. Que continue assim.

Brandonn Almeida.  Jogos Pan-americanos, Natacao no Aquatics Centre. 17 de julho de 2015, Toronto, Canada. Foto: Satiro Sodre/SSPress

Foto: Satiro Sodre/SSPress

2- A quebra do maior dos tabus

Um já havia sido batido em abril, no Maria Lenk. Mas havia ainda um recorde que perdurava há 11 anos. Mas mais significativo era o fato da detentora do recorde ser a mesma pessoa que o tenta bater por todo esse tempo. Ter que vencer de si mesmo é o maior desafio de um atleta. E tentar durante esse tempo recorde, obtendo o êxito é algo inspirador. Por isso, Joanna Maranhão e seus 4’38”07 merecem essa colocação como segundo melhor momento da competição. Foi o que mais nos emocionou de longe, inclusive. Esperar 11 anos para baixar um tempo e fazê-lo com 2 segundos de vantagem. Joanna teve uma competição perfeita, mas é seus 400 medley que encontram-se como nossa segunda escolha.

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Foto: Satiro Sodré/SSPress

1- Mas a quebradora de tabus é outra

Etiene Medeiros vem quebrando tabus da natação feminina desde o Mundial de Doha. Tornou-se a primeira campeã mundial brasileira, voltamos a ter uma brasileira como recordista mundial. Mas sempre havia o porém de ser uma prova não-olímpica. Etiene, aliás, vem lutando contra esse estigma há um bom tempo. Com as Olimpíadas próximas, começou a investir em outras provas como os 50 livre, já que o 100 costas não estava saindo. Pois de uma vez só, rompeu isso tudo, com o primeiro ouro pan-americano feminino na natação, em uma prova olímpica, abaixo do índice olímpico, quebrando o minuto pela primeira vez e fazendo o (agora) sétimo melhor tempo do ano. Isso sem contar que foi a primeira brasileira a nadar para 53” nos 100 livre, mesmo que lançado. Ainda destruiu o recorde sul-americano com 24”55, oitavo tempo do ano. Isso só nos dá uma certeza: Etiene fará ainda mais história em Kazan, daqui duas semanas.

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2 comentários em "Os 12 melhores fatos do Pan-americano de Toronto"

  1. Rodrigo G disse:

    Carolina, acho que seu levantamento foi perfeito. Uma coisa que me alegrou demais foi o final de prova dos brasileiros. Era meio comum, principalmente entre os velocistas, vê-los na briga até os 75/80 metros e depois serem ultrapassados no final.
    Guido, França, Larissa, Chiarighini e principalmente a Etiene, que além de se auto-intitular “preguiçosa” para os 100 costas, é uma velocista pura, reagiram no final, nos surpreendendo.

    E por falar em final de prova, pra mim os mestres desse quesito no Pan: Brandon Almeida e Joanna Maranhão

  2. Lucas disse:

    Parabéns pelo texto , adoro ler sobre natação e sinto falta na mídia brasileira sobre isso!
    Continue escrevendo, traga tempos como fez aqui, que na maioria das vezes não são mostrados em outros canais!

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