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O Pan Pac de Cate Campbell (ou, sobre perseverança)

13 de agosto de 2018

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“Foram 4 dias de sonho na piscina para mim “. Com essa frase postada no instagram, a australiana Cate Campbell definiu bem o que foi o Pan Pacific 2018 para ela.

A australiana nadou cinco provas (duas individuais e três revezamentos), conquistando cinco ouros com cinco recordes de campeonato.

No 100 livre, Cate fez sua melhor marca pessoal e o segundo melhor tempo da história da prova: 52”03. A marca fica atrás apenas do recorde mundial de Sarah Sjostrom, 51”71.

No 50 livre, ouro com 23”81. Campbell só nadou melhor que isso uma vez em 2018, com o 23”78 feito no Commonwealth Games em abril.

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Nos revezamentos, fechou os três com parciais incríveis: 50”93 no 4×100 medley misto (o melhor parcial de rev de uma mulher na história), 51”36 no 4×100 livre e 51”19 no 4×100 medley.

Nesse último, Cate caiu na água em terceiro lugar, e fechou junto com a campeã olímpica e mundial do 100 livre, Simone Manuel, dos EUA. Resultado: mesmo saindo 5 décimos atrás, Cate Campbell garantiu o ouro da Austrália, ainda chegando 5 décimos à frente dos EUA.

Uma competição bem diferente do que Cate viveu há exatamente dois anos, nos Jogos Olímpicos do Rio. Nadando a final do 100 livre na raia 4 e como favorita absoluta – ela bateu o recorde mundial da prova um mês antes das Olimpíadas – Cate saiu mal, piorou mais de 1 segundo e terminou em sexto lugar.

Foi uma das cenas mais tristes da natação nas Olimpíadas. A australiana foi consolada e ajudada por suas adversárias a sair da piscina.

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“As pessoas me chamavam de lenda enquanto eu me senti uma idiota. Foi muito duro, mas o apoio que eu recebi foi tocante”, foi uma das declarações de Cate após a prova.

Nesse vídeo, gravado poucos dias após o final das Olimpíadas, fica claro como estava difícil lidar com a prova. “Se eu tivesse ficado em sexto sabendo que dei o melhor de mim, sairia feliz da piscina. Mas não foi o que aconteceu”. O entrevistador ainda lembra várias vezes que Cate e sua irmã, Bronte Campbell, foram campeãs olímpicas no revezamento, mas o resultado individual foi tão duro que elas mal conseguiam ficar felizes com isso.

De volta à Austrália, Cate viveu o que ela mesma chamou de momento de luto. Chorou em uma entrevista na TV, falou sobre se sentir envergonhada, sobre como achava que tinha decepcionado a si mesma e a quem confiou nela. “Foi um sonho que tive por quase toda minha vida e aquela era minha melhor oportunidade”.

Com tudo isso, 2017 foi um ano de aprendizado, mudanças e persistência. Cate optou por ficar fora do Mundial de Budapeste, principal competição da temporada. Passou a morar sozinha, e disse que aprendeu que a natação é uma grande parte da vida dela, mas não é tudo.

“Ao mesmo tempo que não queria desistir, eu não queria voltar às coisas como elas eram. Foi um processo de mudar algumas coisas para me permitir continuar a fazer o esporte que eu amo, sem que ele consumisse toda minha vida. Na hora que eu parar de nadar, quero estar em paz e tão apaixonada pelo esporte como quando eu tinha nove anos, pulei na piscina pela primeira vez e conheci meu técnico Simon Acho que perdi esse amor em 2016, e isso provavelmente contribuiu com a dor no coração que eu senti. Mas eu me apaixonei pelo esporte de novo. Me apaixonei pelas pessoas que ele atrai e envolve, e espero que encontre esse mesmo ambiente fora quando eu parar”.

“Uma coisa que acho que as pessoas não reconhecem sempre na vida, não apenas no esporte, é que o único lugar onde o sucesso é possível é o mesmo lugar onde fracassar também é possível. Nós crucificamos pessoas por falharem ao invés de as parabenizarmos por se colocarem nessa posição – talvez da próxima vez elas irão ser bem sucedidas, se tiverem a oportunidade, se as encorajarmos o suficiente, se permitirmos que elas se recomponham”.

As declarações foram dadas antes do início do Pan Pacific.

“Todas as essas coisas em que eu estava trabalhando finalmente se materializaram em 52 segundos”, ela disse após a vitória no 100 livre.

O técnico a quem se refere, Simon Cusack (com quem Cate treina desde as categorias de base), admitiu que teve momentos em que achou que ela não conseguiria superar o que aconteceu em 2016. “Cate cresceu muito depois do que aconteceu no Rio. Foi um período difícil e muitas pessoas provavelmente não conseguiriam superar”.

“Foi ótimo ela conseguir executar a prova perfeita sob pressão e contra grandes adversárias – contra a pessoa que ganhou o ouro no Rio. A beleza dessa prova foi que ela nadou todo seu potencial na final, o que é tudo que qualquer atleta quer e qualquer técnico espera de seus atletas“.

Que venham mais passos nessa jornada.

 

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