Entrevista: Ana Carla Carvalho

23 de março de 2015

Entrevista com Bia Nantes3 comentários em Entrevista: Ana Carla Carvalho

Depois de dois anos, Ana Carla Carvalho voltou a melhorar tempo em 2014. Treinando desde o início do ano passado com Marcelo Tomazini, no Pinheiros (clube que defende desde 2008), Ana teve sua melhor temporada desde a era dos trajes. Aos 24 anos, ela busca um lugar na seleção que defenderá o Brasil no PAN e Mundial de Kazan e falou com a Swim Brasil sobre a carreira.

Beatriz Nantes: Como está sua expectativa para o Maria Lenk?
Ana Carla Carvalho: Bem positiva, trabalhei bastante e acredito que consigo resultados positivos.

Ano passado você nadou 4 vezes para 1’10 no 100 peito, foi sua melhor marca desde os trajes. 
Quando virou o ano e fui treinar com o Tomazini, acreditei 100% no trabalho dele, isso me ajudou bastante. Não que não acreditasse nos outros, mas comecei a voltar a fazer aquilo com felicidade. Gostar do que estava fazendo. Isso me ajudou muito e foi um ano bem positivo. Tinha ficado dois anos sem estar na seleção, voltar me fez recuperar a parte de acreditar em mim.

Essa volta foi no Pan Pacific, que você fez 1’10”00 no 100… qual foi o sentimento de ver esse tempo? 
É… na hora você bate e fala “Nossa, faltou tão pouco…”.  Mas apesar de tudo, eu fiquei feliz. Estava há um bom tempo na casa de 1’11. Tinha feito 1’10 no Brasileiro Sênior no Botafogo, e lá nadei para 1’10 duas vezes. Pensei que se eu não ficasse feliz de melhorar depois de 2 anos, ia ser sempre frustrada. Apesar de ter faltado a cereja do bolo, fiquei feliz.

Você gosta de treinar?
Alguns treinos eu não gosto muito. Mas aprendi a gostar mais, eu sei que é só com isso que vou melhorar. Sei que trabalhando duro eu vou obter algum resultado.

Por que começou a nadar?
Eu sou paranaense, meu pai sempre incentivou a gente a fazer esporte. Ele foi técnico de vôlei, queria que eu fosse jogadora de vôlei. Na época eu morava em Londrina e fui para a natação. Sempre gostei muito da água, por causa do calor. Tinha uma competição na academia e fiquei em primeiro lugar, lembro  ganhava R$ 10 por ter ficado em primeiro. Fiquei super feliz e animada. A partir dai comecei. Falaram que tinha um técnico com equipe competitiva e fui. No começo eu gostava mas tinha um pouco de medo, era tudo novo. Mas depois que comecei a competir comecei a gostar bastante.

Sua ida para o Santos foi para nadar ou por algum outro motivo?
Fui pela natação mesmo. Na época meu pai viu que eu tinha potencial, apostou as fichas, pegou a família e fomos para Santos. Fiquei na Unisanta de 2005 até 2007, treinei com o Binho e o Gérson.

E foi no final de 2007 que você pegou medalha no Open.
Sim, fui 3a no 100 e 50 peito, foi ali que peguei minha primeira seleção, para a Copa Latina.

Era algo esperado ou foi uma surpresa?
Quando era nova eu era meio perdidinha. Sempre quis estar na seleção, no Multinations e Chico Piscina, e nunca conseguia. Sempre ficava em 2o ou 3o. Nesse Open, lembro que fui mais desencanada. Nas competições de categoria eu ia muito encanada, lá como eu era juvenil e estava com as mais velhas, o que viesse eu estaria feliz. Era a última competição do ano. Deu certo, dei meus melhores resultados. Na hora nem acreditei.

No Mundial de Roma, em 2009

No Mundial de Roma, em 2009

Sobre essa época que você queria pegar seleção de categoria e não conseguia, alguma vez chegou a pensar em parar de nadar?
Lembro que no final do juvenil 2 isso me frustrou um pouco, eu queria muito estar no Chico Piscina. A seleção paulista era muito forte. Sempre ficava de fora. Lembro que teve um paulista que acabou e eu chorei muito, queria muito ter pego a seleção. Na época meu pai falou pra mim que as vezes acontecem coisas assim porque tem outras maiores guardadas. Aquilo me motivou a continuar. E depois no final do ano eu peguei a seleção e falei para o meu pai que realmente a frase estava certa. E tinha sido justo ela que tinha me motivado.

E logo depois disso você foi para o Pinheiros.
Sim, meus pais decidiram vir também para São Paulo por um ano. São Paulo é muito fora do comum para a gente que é do interior. Minha família sentiu isso, e é difícil ficar longe. Mas um ano depois meu irmão prestou prova para entrar no Colégio Militar, minha irmã entrou na faculdade em Curitiba, e em 2009 eu comecei a ficar aqui por conta.

 Gosta da cidade?
A única coisa que não gosto é o trânsito. Tem bastante coisa para oferecer. Mas ainda sinto muita falta de casa.

Faz alguma coisa além de nadar? 
Ano passado eu terminei o curso de administração, estava fazendo os dois. Mas o foco principal sempre foi a natação. Esse ano, depois que acabei a faculdade, decidi ficar mais com a natação. Eu gostava de ir e ver pessoas diferentes, mas era meio corrido. Agora é bom que quando acaba o treino não tenho mais compromisso, ajuda a poupar energia.

Qual o foco principal desse ano?
Estou focando no Maria Lenk. Sei que tenho grandes adversárias na disputa, mas eu vou acreditar até o final. Tenho muita vontade de representar o Brasil no Pan e no Mundial.

ana

Seu pai parece ser seu grande incentivador, pelo que você fala…
Ele gosta bastante. Acompanha, vai nas competições. Quando eu era novinha, a equipe não ia em uma das viagens, ele foi junto comigo até Manaus para um Brasileiro.

Qual foi sua prova mais marcante até hoje?
Acho que o 50 peito no Maria Lenk de 2008. Era a última chance de conseguir vaga no Mundial Júnior. Eu lembro que estava um pouco nervosa mas no momento que subi no bloco pensei: é a última chance, vou dar 100%. E consegui, foi muito legal. 

Para o Pan Pacific desse ano foi parecido, né? Você conseguiu na última chance. 
Sim, eu fui mal no 100, fiquei mal, ai apostei tudo no 50. Queria um resultado positivo para sair de lá feliz.

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3 comentários em "Entrevista: Ana Carla Carvalho"

  1. Ana Paula disse:

    A Ana é muito focada! Ama a natação e isso transparece no olhar brilhante dela… Desejo cada vez mais sucesso!

  2. Caramba, olha o tamanho do polegar dela!!!!

  3. […] em Auburn e que ano passado fez 1’09”49, segundo melhor tempo do Brasil na temporada), Ana Carla Carvalho (1’10”00 no Pan Pacific, nadadora está em boa fase), além de Pamela Alencar, Juliana […]

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