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Entrevista: Maria Paula Heitmann

6 de outubro de 2015

Entrevista com Bia Nantes1 comentário em Entrevista: Maria Paula Heitmann

Maria Paula Heitmann é uma das principais nadadoras da nova geração de 200 livre do Brasil, junto com Rafaela Raurich e Gabrielle Roncatto. Aos 16 anos, Heitmann foi um dos destaques do 4×200 que terminou em nono na competição. Ela teve o melhor parcial em saída lançada, com 2’00”69. Uma semana antes, Heitmann nadou para 2’01”01 no Finkel, terminando em terceiro lugar entre as brasileiras e entrando de vez na briga por uma vaga nas Olimpíadas. Não vai ser fácil, mas Heitmann acredita. Nessa entrevista, a nadadora do Minas Tênis Clube fala com tranquilidade e animação sobre os recordes do infantil, sua rotina e a expectativa pelas Olimpíadas.

Até o final do ano você tem várias competições de categoria, como o Chico Piscina e o Brasileiro, e tem o Open também. Qual o foco?
Eu estou pensando no Open. Vou para Mococa na semana que vem, nadar o Chico, mas meu treinador não quis que eu polisse, porque o Open é a competição mais importante do ano agora. Vai ficar próximo do Brasileiro também, mas o foco é o Open.

IMG_5816Você já tinha participado de outras seleções de categoria, mas foi seu primeiro Mundial Junior. Como foi?
Foi muito legal! Tudo, a estrutura, que é bem bacana, tinha tendas, massagem, um monte de coisa. E também achei muito legal o pessoal de apoio da competição, que estava sempre tentando te ajudar. Além disso foi bom ver o nível dos outros países, como é forte.

O que achou da sua participação?
De prova individual eu nadei só o 100 borboleta e o 50 livre, e consegui melhorar meu tempo nas duas. Até consegue pegar semifinal no 50 livre [com 26”10 na semi, Maria Paula terminou em 15o lugar]. E nadei todos os revezamentos, o principal era o 4×200 livre. Consegui fazer o meu melhor tempo e gostei. Eu tinha acabado de nadar no Finkel e fiz meu melhor tempo, e praticamente repeti no Mundial.

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Foi um ótimo revezamento e vocês ficaram muito perto da final, o grupo gostou?
Ficamos em nono e a gente fica com o gostinho de querer ter nadado a final. Mas todo mundo deu seu melhor é assim mesmo, às vezes dá e às vezes não dá…

Como estava o clima da seleção?
Tava todo mundo muito unido. Na prova do Brandonn, mesmo sendo 1500 metros, todo mundo torceu muito, parou tudo para torcer. E foi assim para todos, a equipe estava muito unida torcendo.

Como é treinar com o Scott?
Comecei a treinar com ele esse ano, antes treinava com a Miti [Adriana Mitidieri], que foi quem me acompanhou no Mundial. Somos bem próximas. No começo do ano eu estava com um pouco de medo, por não saber como era o treino, e tinha medo de não me adaptar ou não aguentar. Mas eu me acostumei muito rápido e está dando resultado, sinto que estou indo bem.

Heitmann com Miti, que foi sua técnica até ano passado, e Nathan Bighetti

Heitmann com Miti, que foi sua técnica até ano passado, e Nathan Bighetti

Você falou que o foco é o Open. Lá vai ser a primeira seletiva para o Rio e pensar em suas chances para o revezamento 4×200 é algo real. Como você vê isso?
Desde o início do ano meu técnico começou a falar sobre isso, disse que tenho chance e posso conseguir. Estou fazendo meu máximo, esse é o objetivo, estou treinando muito para conseguir. Mas se não der, tem as próximas Olimpíadas.

Como você se sente sobre isso?
No início do ano, quando ele falava, eu não estava totalmente acreditando. Achava que era meio longe. Mas com o passar do tempo, fui abaixando o tempo, e quando fiquei em quarto no Finkel mas peguei medalha por ser a terceira do Brasil, foi quando mais acreditei. Foi quando pensei: nossa, eu consigo. A gente sempre conversa e ele sempre fala que eu posso, então acredito nisso.

Você gosta de acompanhar natação? Tem algum ídolo?
Sempre vejo na TV, meu pai que adora e sempre comenta. Ele não nadava mas sempre acompanha, às vezes parece um comentarista. Sobre ídolo, tem a Femke [Heemskerk]. Ela já competiu pelo Minas e quando ela vinha eu sempre ficava observando, ela alongando, nunca conversei muito mas ela parece muito legal e nada o 200. Quando alguém fala em ídolo, eu lembro dela.

Quando e por que você começou a nadar?
Comecei a nadar só para aprender, quando era pequena.Fui continuando e comecei a gostar, estou até hoje. Comecei em uma escolinha no Minas, mas depois fui morar no Rio. Quando voltei para Belo Horizonte, fui para o Olímpico e depois para uma academia, Gota, até voltar para o Minas. Esse é meu quarto ano direto aqui.

Quando era infantil 1, no Brasileiro, você bateu o recorde do 100 livre, que durava desde 1987. Você já foi para essa competição pensando no recorde?
Esse recorde foi muito legal. Fiquei muito animada, foi uma das maiores experiências que já tive. Eu já sabia do recorde e que durava muito tempo, meu técnico tinha me falado. Na eliminatória meu técnico disse que eu tinha que já nadar abaixo de 1’00 para conseguir bater o recorde depois. Eu nadei para 59”7. Fiquei mais animada, queria muito bater o recorde. Na final bati o recorde [Heitmann fez 59”44, superando o 59”78, estabelecido em 1987 por Angela Tupynambá], foi muito legal. Foi a primeira vez que eu vi que conseguia.

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E um ano depois você bateu o recorde da Joanna Maranhão no 200 livre. 
Sim, era 2’06, fiz 2’05 na eliminatória e 2’04 na final. Eu lembro até hoje que, depois da prova, meu técnico disse que nunca tinha visto uma prova tão bonita. Foi ali que comecei a acreditar no 200 livre.

É sua prova preferida?
Hoje a que eu mais gosto é o 200. Antes gostava mais do 400, já nadei 800 também, costas de vez em quando. Mas hoje o foco é o 200.

Você gosta de treinar?
Eu gosto mais de competir. Mas também gosto de treinar. Não tem como não gostar, para acordar às 5h da manhã você tem que gostar. Eu adoro!

Como é sua rotina?
Esse ano eu mudei de colégio para um que é mais fácil de conciliar, eles ajudam a repor quando você perde prova. Dobro três vezes na semana às 5h15, e treino a tarde todo dia, de segunda à sexta, e sábado de manhã. Musculação faço três vezes por semana.

Você ficou triste de não ter nadado o 200?
Fiquei meio triste de não ter nadado, mas as outras meninas merecem muito e foram bem. Mas sim, eu queria ter nadado aquela prova. Ainda mais porque, como não pegamos final no 4×200, só deu para nadar o 200 uma vez.

Seus pais gostam que você nade?
Eles me apoiam muito, sempre vão nas competições, sempre vão e torcem, às vezes até fico com vergonha do quanto eles torcem. Mas eles me apoiam muito.

 

 

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Um comentário em "Entrevista: Maria Paula Heitmann"

  1. Carlos oliveira disse:

    Boa entrevista; temos grandes promessas como M Paula e Rafaela…vcs vão estar no Chico Piscina? A cobertura está pobre…

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