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Amor no esporte e relacionamento a distância

5 de julho de 2015

Diário de Joanna13 comentários em Amor no esporte e relacionamento a distância

Hoje resolvi falar sobre uma situação que quando eu ouvia falar eu repetia o mantra: “não existe, nunca dá certo”. Estou falando do temido: relacionamento à distância.

Quem nunca viveu essa situação ou conheceu alguém que se dava bem, namorava há bastante tempo mas acabou terminando por conta da distância? Seja lá por qual motivo for: intercâmbio, proposta de emprego ou carreira de atleta (meu caso).

Meu namorado também é atleta, pra quem não sabe ele é judoca (o mais lindo e maravilhoso de todos e eu não divido, rs) foi campeão mundial em 2007, é atleta do Minas Tênis Clube há 15 anos e assim como eu, está tentando mais uma participação olímpica.

Nos conhecemos dentro do minas, começamos a namorar em 2010 e já estamos juntos há 5 anos. Se é fácil? Não. É muito mais difícil do que vocês possam imaginar, dói mais do que nadar 400 medley e eu não estou exagerando.

No final de 2012 eu tive que fazer uma escolha: ou eu voltava pra Recife e continuava nadando, ou ficava em Belo Horizonte com Luciano e parava de nadar.

Como vocês já sabem, eu voltei pra Casa e pro técnico/clube que me colocou no cenário internacional pela primeira vez, Nikita.

Voltar pra casa teve seu lado ótimo (comida da mamãe, não precisar lavar roupa, pagar conta, entre outras), por outro lado, eu estava longe do meu namorado e sem projeção de se encontrar. (vôo Recife-BH é caro e nós dois somos atletas de modalidades diferentes, ou seja: o calendário nunca bate). Nos primeiros meses eu pensei: é o princípio do fim. A gente não se via, só se falava por telefone, perdemos a rotina de se ver e fazer coisas bobas juntos (ir ao mercado, ir ao cinema, ficar em casa sem fazer nada), a gente simplesmente não tinha mais isso.

Nos fins de semana piorava ainda mais, eu saia com meu irmão e minhas amigas pra não pensar muito nisso, ele também tentava se adaptar mas não estava funcionando mesmo. No primeiro semestre de 2013 eu pensei : “não fiz a escolha certa, perdi um cara sensacional”.

Há quem diga que eu sou o homem da relação, rs. Por ter esse temperamento explosivo e programar tudo, mas a verdade é que Luciano é um cara muito sensível, muito solícito ao sentimento dos outros, não apenas pra mim que sou namorada, mas pra todo mundo mesmo.

Eu não podia e nem queria perder aquilo que a gente havia construído. Quando a gente se via por dois ou três dias, a semana seguinte era ainda pior, era como se tivesse o gostinho da companhia e quando começava a se acostumar, a ausência se fazia presente.

Como nós conseguimos retomar a cumplicidade e criar um laço ainda mais forte, eu não sei. Acho que é uma mistura do compromisso com o esporte, do momento de ser atleta que é esse e não volta mais, o respeito pelo sonho um do outro e a imensa vontade de construir um futuro juntos. Parece comercial de margarina, mas não é.

Alguns pontos ficam mais sensíveis com a distância, como o ciúme. Eu não sou o tipo de mulher que regula o celular e reclama quando ele olha pra outra na rua. Acho que ele tem mesmo que olhar, a beleza de outras mulheres não diminui a beleza que ele vê em mim.

Outro ponto que parece bobagem mas foi motivo de discussões bobas: programação. Quantas vezes você sai pro cinema, de lá resolve ir jantar e acaba chegando mais tarde em casa? Ai você só tinha dito que ia pro cinema; chega em casa mais tarde e diz “Ah, acabou que eu fui jantar depois”, “Nem avisou, com quem você foi? Custava ter dito que tava indo?” #quemnunca kkkkkkkkk

Enfim, com o tempo, nós dois fomos nos adaptando a essa realidade dura, fomos entendendo que fidelidade é uma opção, um comportamento que você escolhe ter com seu parceiro afim de construir uma relação saudável, não adianta exigir.

Eu sou do tipo que se declara, posta foto, escreve textos e cartas, não deixa passar uma data importante em branco. Pra vocês terem uma idéia, no aniversário de 30 anos dele, ele estava na China competindo. O que eu fiz? Peguei vídeo dos familiares e melhores amigos, juntei tudo e mandei um clipe. Ele se emocionou muito. Quando ele perdeu a segunda luta nos jogos de Londres, eu passei pela segurança como uma louca e fui abraça-lo, eu não queria que ninguém chorasse a dor dele naquele momento, fiz questão de estar ali de pé, repetindo pra ele que “vai doer hoje, vai doer um pouco menos amanhã, só não deixe que doa por muito tempo, porque daqui a 4 anos tem de novo”. Já lu é o contrário, não é nada romântico, no dia dos namorados ele perguntou se eu queria um suplemento porque não sabia o que me dá, acreditam?Kkkkkk Eu respondi com toda minha delicadeza: “você se levante dessa cama e vá comprar nem que seja um chaveiro pra mim”, o bichinho voltou com duas blusas. Ele detesta rede social, quase não usa, a não ser pra falar sobre o projeto social e uma ou outra coisa de judô, quando eu pergunto porque ele não posta foto comigo ele é enfático: “não quero gente mandando energia negativa e com inveja do que a gente tem.” Uiii, kkk. Se eu gostaria que ele fosse mais romântico? As vezes sim, mas acima de tudo quero o caráter dele e isso é imutável, vale mais que muito buquê de flor.

Hoje, considero que estamos vivendo nosso melhor momento. Se deixamos de bater boca por bobagem? Claro que não! Eu curto fazer um doce de vez em quando, rs. Depois de cinco anos de relacionamento, a proximidade de eventos esportivos grandiosos, tudo vai fazendo sentido, entende? Estamos a cada dia mais próximo do nosso “felizes para sempre”, que jamais será como nos contos de fadas, Deus me livre!Eu quero que continue como está: verdadeiro, com divergências, cumplicidade e crescimento.

É isso, espero que quem esteja na mesma situação que eu encontre um acalento, acredite e se esforce, se mantenha em primeiro plano de sua vida e paralelamente invista no relacionamento (se for saudável, pelo amor de Deus), enfim, sejam felizes!

Obs: Enquanto fiz esse post eu dei uma brigadinha de leve com ele (só pra fazer um docinho, sabe?rs) mas já passou e vou fazer as pazes (via whatsapp porque no momento ele está looooonge, no Canadá e só vamos nos ver dia 12!)

Obs 2: Vejam o que é o amor, eu torcedora do Sport e ele torcedor do Flamengo, sempre rola um bate papo nervoso sobre quem é o campeão de 87 mas tudo sempre termina bem, eu juro!KKKKKK

eu e mo macho em maravgoeuelueuelu4euelu3euelu5

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13 comentários em "Amor no esporte e relacionamento a distância"

  1. Larissa Melo disse:

    Gostei do post… Hehehehehe. Que vcs consigam viver o “felizes para sempre” logo. Eu vivi a distância por 9 meses, só que eu estava casada a menos de 1 ano e estava grávida. Minha gestação inteira longe do meu marido… Mas hj estamos grudadinhos pra nunca mais desgrudar. Nos três. Mauro e Larissa (MeL)= Mel (nome da nossa filha)

  2. Cheyenne disse:

    Que lindo!
    Deus sabe o q faz!
    A distância serviu para fortalecer o amor de vcs! Tudo nessa vida tem um propósito né?
    A hora do “sim” vai chegar e vcs darão muitas risadas de tudo o que viveram para chegarem até ali! Construirão uma família linda e vão viver lá perto de Sete Lagoas! Rsrsrs

  3. Gabi disse:

    Pensando aqui que meus namoros não duram nem 6 meses que dirá 5 anos. Rs.. Já pode pensar no jornalismo tb Joanna, teus textos são massa !

    Obs. O Luciano é MUITO grande. Oo

  4. Camyla disse:

    Até lagrimei. Que lindo. Vcs me fazem acreditar que vale a pena, que é real. Eu vou ficar torcendo por vcs em tudo, arrasem em Toronto.

    • Joanna Maranhão disse:

      Isso Camyla!Acredita sempre…acredite que existe alguém pra te acrescentar e que te permita crescer apesar das diversidades, a vida é real é bem melhor que os contos de fada! :)

  5. Deyse disse:

    Que depoimento bacana. Adoro você, seus valores, sua coragem. Torço por vocês. O amor de vcs é lindo, resiste a tudo.

  6. Débora disse:

    Joanna, você é ótima! hahaha SImplesmente adoro seus textos.
    Que bom que entre idas e vindas vocês continuam firmes. O bom é que os dois são atletas e entendem a loucura que é essa vida! 😉
    Vida longa ao casal.
    Beijo

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