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O que as Vilas tem de tão especial?

21 de julho de 2015

Diário de Joanna9 comentários em O que as Vilas tem de tão especial?

O que as competições em vila tem que as outras não tem?

Jogos Pan Americanos, Universídades ou Jogos Olímpicos, sorte do atleta que teve a oportunidade de viver toda essa atmosfera.

A valorização do esporte nesses eventos acontece desde antes do embarque. O uniforme já é um atrativo em especial, os países capricham em tudo (as vezes abusam as cores mas quando junta todo mundo fica até bonito, rs).

A entrada na vila é sempre um momento especial, já fui a quatro jogos pan americanos, uma edição da universíades, três jogos olímpicos e acreditem quando digo: é mágico! Parece que todo mundo se entende com o olhar, todo mundo sabe o quanto foi duro chegar ali. Poxa vida, no mínimo você precisa ser o melhor ou o segundo melhor do seu país e isso é grandioso independente da nação que você represente.

E o que dizer do refeitório da vila? Um  verdadeiro parque de diversões (ainda mais pra mim que sou amante dos alimentos, hehe) Tem literalmente de tudo, comida saudável, orgânica, várias opções de massa, de proteína, buffet de salada variadíssimo, pães e nessa do Canadá tinha até sorvetes, cookies, muffins e nutella (eu consegui resistir até o último dia, mas após a última etapa me rendi a pizza e aos doces, confesso!)

Toda vila tem uma sala de musculação de última geração, equipamentos novíssimos para que os atletas consigam manter suas respectivas rotinas de treinamento. É bastante comum ver o pessoal dos esportes de luta nesses locais, alguns correndo pra bater o peso e outros fazendo muita força mesmo.

Os atletas que vão a esses eventos sempre ganham brindes, nessa edição do pan ganhamos uma mala dos jogos com garrafinha, toalha, copo de smothie, enfim, são pequenas lembranças que vão trazendo ainda mais valor a toda essa vivência.

Não poderia deixar de falar da sala de jogos. Siiiim, os organizadores sempre montam espaços para que os atletas possam “relaxar” um pouco da pressão dos campeonatos. Me lembro de ter ido conhecer a sala de jogos da vila de Pequim em 2008 e no brinquedo de fazer cesta de basquete estava ninguém menos que Kobe Bryant! Na hora eu fiz um “OH!!!” porque demorei pra acreditar que ele estava ali. Também me lembro de estar andando pro refeitório da vila de Londres e do meu lado estava Usain Bolt!

Mas não são apenas os ídolos internacionais que (eu particularmente) valorizo. Acho ótimo entrar no elevador e dar “bom dia” a Jaqueline do volei, cruzar com o Robert Scheidt da vela na entrada do prédio do Brasil como se fóssemos vizinhos de longa data, ou até ver o Zanetti te cumprimentar com um “Oi tudo bem, como você está?”

Parece bobo pra você? Mas não é, não pra quem cresceu vivendo o esporte, sonhando com esses eventos. É mágico. E dizer que apenas os atletas são as estrelas desses eventos seria injustiça. Os voluntários são tão gentis que dá vontade de ser amigo de todo mundo, kkkkk.

Por que você acha que alguém resolve trabalhar durante todo evento olhando crachá de atleta? Eles fazem isso porque AMAM o esporte, porque se por alguma razão de ser, a vida não permitiu que estivessem ali enquanto atletas, eles fizeram questão de fazer parte e são igualmente importantes.

Agora eu deixo algumas perguntas: diante de tudo isso que escrevi, será que apenas a medalha tem valor? Será que é justo dizer que os atletas do Brasil treinam anos para “passear” no exterior? Será que é bacana dizer que: “se você ficou em terceiro no pan, vai fazer o que nas olimpíadas?”

Olhem pro tamanho do planeta terra, pensem no número de pessoas que trabalham nesses eventos, agora pensem no grupo de pessoas do mundo inteiro que buscam estar ali: quantos atletas do mundo querem viver isso tanto quanto eu? Quantos querem uma das três medalhas que estão sendo disputadas? Quantos acordaram por anos a fio cedo, passaram por cima de lesões, frustrações e desafios para estarem ali?

Na minha opinião: são todos vencedores. Até aqueles que bateram na trave nas respectivas seletivas, sabe por quê?

Não é a cada quatro anos, é todo dia.

Beijos!

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9 comentários em "O que as Vilas tem de tão especial?"

  1. Teresinha disse:

    Realmente é tudo tão mágico, e seletivo até chegar ali, que fica difícil para inúmeras pessoas infelizmente sentir a grandeza de um atleta e o esforço DIÁRIO, as vzs incomparável a nada, amor, dedicação, perseverança, determinação. Quem convive com essa rotina, acho bizarro alguém falar, se queria um bronze, “fosse prá praia”, na Olímpiada não pega nada, sinceramente a falta de noção, hj não me incomoda mais tanto, o mérito é diário, duros treinos, musculação, alimentação, abdicar de festas e passeios, do convívio familiar, PARABÉNS JUJUCA.

  2. Cheyenne disse:

    Consegui imaginar até os detalhes com sua descrição! Convivo diariamente com o esforço de nadadores e sei como isso é o sonho de cada um deles! Por aqui se afirmou logo depois do seu tempo batido: ” eu estarei lá daqui a 8 anos, vou nadar medley e peito”! São esses sonhos que os movem! E são vcs que os alimentam! Incrível como eles admiram o esforço, e não somente os títulos, como muitos infelizmente fazem! Quando Larissa fechou aquele revezamento ela virou ídola por aqui! A garra dela virou exemplo! Seu recorde batido teve muito mais valor que uma medalha! Que bom seria se todos tivessem a chance de conhecer esse mundo! Talvez as pessoas se tornassem melhores! Pq valorizar o esforço alheio é um bom começo para conseguir respeitar o outro de fato!
    Parabéns!!!!

  3. Luiz disse:

    Parabéns continue assim brindando quem acompanha de longe, com seus comentários sempre interessantes!!

  4. Gabi disse:

    Caramba Joanna, n consigo nem imaginar o quão sensacional deve ser. Um dia tava comentando com umas atletas minhas como era jogar um Jubs. Fui pro primeiro sem ser pra jogar, e jurei depois dele que ia um dia pra jogar. Fiquei besta com tudo ,uma semana respirando esporte, indo aos jogos com ônibus da competição cheio de atletas, o refeitório com gente se todo canto do pais. Aquilo foi encantador de uma forma que nunca tinha vivido. Terminei conseguindo jogar 3 e como “pseudo atleta” foi a experiencia mas sensacional que eu passei, imagina só um pan,um olimpíada ou universiade?! Na universidade vejo atletas,aamigos ralando muito que n vão conseguir ter nem essa experiência que eu tive, se eu pudesse levava todo mundo na mala. É sensacional se sentir atleta de fato durante uma semana, se sentir por uma semana cono vcs. É o topo,medalha é sensacional,mas conseguir esta ai onde vc tá é a maior das vitorias. Inveja branca. Rs… Deve ser incrível.

    • Joanna Maranhão disse:

      É bem isso mesmo, Gabi!Independente da grandiosidade do evento, o esporte tem essa coisa especial de fazer com que a gente se entenda e viva com tanto fervor!
      Grande beijos!

  5. Rafael Oliveira disse:

    Joanna, obrigado por compartilhar conosco momentos tão mágicos, que poucos privilegiados, como você, tem a chance de viver. O seu texto deu vida a cada cena, capturando cada detalhe, e com certeza essas experiências valem mais que qualquer medalha, mesmo que para mídia sensacionalista só o ouro tenha valor.

  6. Cristiane Meireles disse:

    Joanna,

    Belo post! mais bonito ainda por ter valorizado a presença dos voluntários. Você transmitiu muito bem como deve ser uma competição com vila e a convivência com atletas de outras modalidades. Se pra você que agora está acostumada com isso, fico pensando em atletas que tiveram essa experiência pela primeira vez, deve ter sido surreal pra eles não?

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