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Projeto Infância Livre

28 de agosto de 2015

Diário de Joanna5 comentários em Projeto Infância Livre

Durante o breve período em que estive em Recife, pude dar início a ações que acredito serem de extrema importância para o combate permanente à pedofiia.

Não é fácil conciliar o trabalho de uma ONG com os treinos de alto rendimento, na verdade não é fácil ser atleta de alto rendimento e qualquer outra coisa além disso.

Portanto, optei por realizar palestras e falar mais a respeito do nosso trabalho no período de férias da natação.

No ano de 2014 criamos uma ONG chamada: Projeto Infância Livre, onde nosso maior objetivo é combater a pedofilia dentro do estado de Pernambuco e no Brasil de forma sistêmica.

Identificar o pedófilo é extremamente difícil, tendo em vista que antes de realizar qualquer crime, ele conquista a confiança da criança, da família, isso quando não se trata de alguém da própria família.

Dentro dessa esfera, a pedofilia é um problema que não tem classe social, ela acontece nas comunidades e também nas famílias mais abastadas, tornando o processo de informação e educação necessário a todos.

Ocorre uma certa resistência por parte de algumas escolas e famílias quando se propõe uma educação e prevenção para crianças. “Será que não estarei aguçando a sexualidade desde cedo no meu filho?” A resposta é: não.

Nosso trabalho expõe o mínimo de detalhes possível, a idéia é falar sobre quais carinhos são permitidos, quais carinhos não devem acontecer,e, caso aconteçam, nunca se calar, não sentir culpa e procurar ajuda.

Dentro dessa proposta, realizamos três palestras: duas na escola Divino Mestre em Piedade para dois grupos distintos de alunos; o primeiro grupo mais jovem e o outro do ensino médio. A forma de contar a mesma história muda mas o recado é exatamente o mesmo.

Também estivemos na escola municipal Elizabeth Sales no bairro de San Martin e o grupo de alunos era ainda mais novo, iam até o quinto ano, a didática era a mesma e todas as crianças conseguiram entender o recado.

Agradeço imensamente as escolas por nos permitir passar essa mensagem, por nos receberem tão bem , saímos de lá na certeza de que a semente da esperança está sendo plantada.

Sinto que minha vida se desenhou para que hoje eu conseguisse abraçar essa missão e ajudar outras pessoas. Como eu já disse outras vezes: minha intenção é que nenhuma outra criança no mundo passe pelo que eu passei. Por mais utópico que isso possa parecer, eu acredito que uma corrente começa a ser formada a partir do dia que verbalizamos esse tipo de problema, colocamos pra fora nossos receios, ampliamos os conhecimentos diante de um assunto tão mórbido.

Sou constantemente perguntada se falar sobre o assunto não me machuca. Acho que se eu disser que não sinto absolutamente nada, estarei mentindo, sempre vai existir algum resquício de emoção e dor relacionada ao que passei.

Mas o que sinto ainda mais forte dentro de mim, é a sensação de vitória por ter encarado tudo e conquistado meu equilíbrio emocional e minha paz interior. Quando recebo algum e-mail, ligação ou contato de alguém que viveu uma história parecida, sinto uma necessidade de tentar passar para essa pessoa a certeza que isso passa, de que é possível viver através e apesar do trauma.

Eu fui uma vítima, fui, não sou mais. Eu tomei as rédeas dos acontecimentos, eu olhei pra dentro de mim e resolvi encarar e é isso que quero passar para as pessoas.

Como disse Mujica: “não é só uma mudança do sistema, é uma mudança de cultura, é uma cultura civilizatória. E não tem como sonhar com um mundo melhor se não gastar a vida lutando por ele. Temos que superar o individualismo e criar consciência coletiva para transformar a sociedade.”

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Ps: Na página do Projeto Infância Livre no facebook, vocês conseguem encontrar mais fotos dos dois eventos e sintam-se a vontade pra nos  contactar também se precisarem, estamos aqui pra isso.

Grande Beijo!

Joanna M

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5 comentários em "Projeto Infância Livre"

  1. Cheyenne disse:

    Estamos juntos nessa luta!

  2. Priscila disse:

    Também sofri com isso, mas diferente de você não consegui me libertar desse sentimento. Todos os dias me culpo pelas coisas que não dão certo em minha vida e acredito que isso só acontece por um único motivo, que é o de não saber perdoar, ou melhor, não me perdoar, pois conviver com esse sentimento de culpa ( mesmo sem ter culpa alguma), não é fácil, carregar diariamente um fardo que não é meu, e sim do agressor , não é fácil. Hoje com 22 anos de idade e com uma filhinha linda de 2 anos, pareço sofrer ainda mais com o passado, todos os dias ele me persegue e agora é ainda pior, pois não sou mais sozinha. Eloisa veio ao mundo pra me manter viva por mais um tempo, pois assim como você Joana, eu também já tentei suicídio, e mesmo com todo o amor que sinto pela minha filha, ainda sim não me sinto forte o suficiente pra continuar vivendo, as vezes acredito que eu só precise de ajuda, talvez eu não queira morrer de verdade, talvez eu só queira dormi muito e quando acorda, não sentir mais aquela sensação horrível que eu sinto desde os 5 anos de idade. Meu maior sonho é me curar disso, conseguir um bom namorado e depois um marido, e que ele me ajude me respeite e acima de tudo respeite minha filha……….

  3. Mayra disse:

    Ola Joana e equipe do infância livre. Meu nome e Mayra Alves, sou professora de uma escola municipal do Rio de Janeiro. Acabo de ver sua entrevista no “bola da vez” e gostaria muito do seu contato no sentido de propor um encontro para palestra para um grupo de jovens.

  4. Joanna meu nome é Carolina e sou médica presidente da ONG o nosso papel http://www.nossopapel.org.br e temos um projeto social na ilha de paqueta no Rio de Janeiro chamado ponto de cultura fazendo a diferença em paqueta e estamos com a demanda de trabalhar o tema da sexualidade e os cuidados e educação para as crianças e adolescentes. Gostaria de conversar por e-mail ou levá-la para uma palestra lá o que seria maravilhoso. PARABÉNS Por todas as olimpíadas r por ser essa excelente nadadora é mais ainda pela coragem e pela luta por uma infância mais segura e feliz nesse país. Carolina Luna

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