swimmingolympicsday8dzgq9kisyfsl

12 momentos inesquecíveis da natação em 2016

30 de dezembro de 2016

Especial Fim de ano 2016Nenhum comentário em 12 momentos inesquecíveis da natação em 2016

Por Beatriz Nantes

2016 foi um ano repleto de momentos inesquecíveis para quem gosta de natação, com a realização da Olimpíada, o ponto alto do nosso esporte, no Brasil. Abaixo, listo 12 desses momentos que acredito que nunca vou esquecer.

12- O 200 livre feminino no Maria Lenk

A vaga do revezamento 4×200 livre feminino do Brasil já estava garantida desde o Mundial de Kazan. Chegaram para a última seletiva com a vaga as nadadoras Manuella Lyrio (também com índice individual), Jessica Cavalheiro, Maria Paula Heitmann e Larissa Oliveira. Já nas eliminatórias do Maria Lenk, Larissa mostrou que a primeira seletiva tinha sido um ponto fora da curva e conseguiu índice para a prova individual. Manuella Lyrio e Joanna Maranhão acabaram sem vaga para a forte final A, e teriam de nadar a final B – Joanna acabou abrindo mão da prova para focar no 200 medley.

O que se viu de tarde foi uma das provas femininas mais fortes da história do Brasil. Larissa voou na piscina, baixou em mais de um segundo sua melhor marca pessoal, bateu o recorde sul-americano, nadou para 1’57. Uma prova que deu gosto de ver. Jessica Cavalheiro ficou muito próxima do índice individual e em seu último ano como nadadora profissional garantiu a terceira vaga do revezamento. A quarta e última vaga ficou com Gabrielle Roncatto, que virou atrás de Maria Paula Heitmann e Rafaela Raurich faltando 50 metros, mas com um final de prova alucinante conseguiu chegar em terceiro. Depois, bastou esperar a final B e a confirmação dos nomes, com Larissa e Manuella com vagas no individual, e Jessica e Gabrielle completando o rev. As quatro fizeram sua estreia olímpica no Rio meses depois. Que disputa!

a71q2463-1024x683

11- Aquele 100 livre feminino na Olimpíada

Assistir o que aconteceu na final do 100 livre feminino deixou a mim e a Carol completamente atônitas. Penny Oleksiak e Simone Manuel chegaram ao ponto alto de suas carreiras dividindo o pódio da prova. O choro de Simone e o significado de seu ouro foram emocionantes. Um feito histórico para a natação e o esporte, ver uma negra no alto do pódio da natação pela primeira vez em uma prova individual. Os ouros são das duas, de forma incontestável – nadaram na hora que tinham que nadar, venceram, serão eternamente campeãs olímpicas, não importa o que aconteça amanhã.

on Day 6 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Aquatics Stadium on August 11, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.

O que nos deixou tristes não foi ver a recordista mundial Cate Campbell fora do pódio, mas vê-la nadando tão mal, sem bater perna no final, irreconhecível. Para mim, essa prova foi a síntese da tristeza que senti vendo todos os nadadores que chegaram na Olimpíadas com tempos para se tornarem medalhistas ou campeões e que simplesmente não fizeram a marca. Essa frustração é a pior de todas, saber que há poucos meses o tempo saiu e na hora H, por um milhão de motivos, não. Segui com os olhos todo trajeto de Cate até sair da piscina, e não contive o choro ao presenciar a cena eternizada na linda foto abaixo, das adversárias consolando Cate e ajudando a australiana a sair da piscina.

3723a46a00000578-3735417-image-a-63_1470970906347

10- Etiene Medeiros, finalista olímpica

Ela já era recordista e campeã Mundial em piscina curta e medalhista mundial em piscina longa, campeã pan-americana. O Rio foi sua estreia olímpica, e não começou bem, piorando seu tempo no 100 costas. Sabemos o quanto um começo ruim pode arruinar toda preparação para uma competição, mas o que vimos foi uma capacidade incrível de reação de Etiene ao longo dos oito dias de competição. O melhor ficou para a última prova, conseguindo uma vaga para a final do 50 livre. Para entrar, Etiene Medeiros teve que superar nadadoras como Sarah Sjostrom, Therese Alshammar e Jeanette Ottesen. Ela foi a quinta brasileira na história a conseguir uma final em prova individual, se juntando a Piedade Coutinho, Joanna Maranhão, Flavia Delaroli e Gabriela Silva. Não achei foto do momento em que ela encontra seu técnico Fernando Vanzella depois de ver que tinha se tornado finalista olímpico, mas essa é a cena que nunca vou esquecer.

Etiene Medeiros. Finais da natacao no OAS. Jogos Olimpicos Rio 2016. 12 de Agosto de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress

Etiene Medeiros. Finais da natacao no OAS. Jogos Olimpicos Rio 2016. 12 de Agosto de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress

9- Anthony Ervin ouro no 50 livre (de novo)

A final foi tensa como só uma final de 50 livre consegue ser, com aquele silêncio característico antes da largada. Para os brasileiros, o resultado não foi o que queríamos, e foi triste ver Bruno Fratus nadando acima de seu melhor tempo, que daria a ele um lugar no sonhado pódio. Coisas do esporte. Mas focando na prova, o resultado foi incrível. Nenhum campeão vibrou tanto em todos os dias de competição como Anthony Ervin, o campeão olímpico de 2000 que parou de nadar, vendeu sua medalha olímpica de Sidney, se envolveu com drogas, voltou, e conquistou outro ouro olímpico 16 anos depois, aos 35, desafiando as estatísticas. Sensacional. Que momento.

anthony-ervin-getty-promo-589483848

75b63f7c-6101-11e6-b5bc-b62a47a77f00-780x474

8- Katie Ledecky em ação

Como encontrar adjetivos para Katie Ledecky, que desafia a lógica, que nunca perdeu uma prova individual em Olimpíadas e Mundiais, que tanto entra no revezamento 4×100 livre dos EUA como bate o recorde mundial do 800 livre, que faz o 8’16 da segunda colocada parecer fraco depois de dar 12 segundos de diferença, que ganha o 400 livre, que ganha o 200 livre, que só tem 19 anos, que ganha de todo mundo, que parece de outro mundo. Sobre ela não há muito o que dizer, só admirar e aplaudir.

screen-shot-2016-12-30-at-10-54-21-am

7- Katinka Hosszu e a medalha que faltava. 

Ela já tinha praticamente tudo, e ao mesmo tempo faltava tudo: a medalha olímpica. Difícil acreditar que a húngara que assombra o mundo com sua capacidade fora do comum de nadar (e ganhar) sem parar ainda não tinha subido ao pódio olímpico. Não mais: depois de uma campanha quase perfeita no Rio, a dama de Ferro já não pode mais ser contestada: ouro no 200 e 400 medley, ouro no 100 costas, prata no 200 costas. Duas coisas me marcaram muito: aquele 400 medley com recorde mundial no primeiro dia de competição, uma das provas mais fortes já vistas, e as entrevistas em que ela se mostrava motivada para já voltar a treinar depois de ficar em segundo no 200 costas.

katinka

6- O 100 borboleta masculino 

Quando era criança, brincava de “competição” com meu irmão: colocávamos os bichos de pelúcia para competir, com direito a narrador, balizamento e pódio. Coração mole, os empates rolavam soltos: não queríamos deixar ninguém sem medalha. 20 anos depois, o que eu vi naquele 100 borboleta parecia fruto da minha imaginação.

Não foi apenas um empate, foi um triplo empate; não foi um triplo empate qualquer, foi um empate entre Chad Le Clos, Lazslo Cseh e Michael Phelps.

Uma história que gosto sobre Le Clos foi quando, na entrevista coletiva do Mundial de Barcelona, ele disse que aquele dia era o aniversário de um ano de seu ouro em Londres, quando fez o impossível e ganhou de Michael Phelps na chegada no 200 borboleta. “Para falar a verdade, acho que foi mais ou menos esse horário que estamos agora…”, e sorria, ainda incrédulo e orgulhoso com o que tinha feito. No Rio, ele tinha ficado fora do pódio justamente do 200 borboleta, Lazslo Cseh é um monstro, o húngaro que se colocava entre Phelps e Lochte no pódio, que sempre nadava bem, um dos maiores nomes do medley dos últimos 12 anos. Também ficou fora do pódio do 200 borboleta e foi para o tudo ou nada no 100. Michael Phelps é Michael Phelps. E os três empataram, em segundo, e subiram juntos no pódio.

Parece mentira, mas é Olimpíada!

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 12: Joint silver medalists, (R-L) Michael Phelps of United States, Chad Guy Bertrand le Clos of South Africa and Laszlo Cseh of Hungary celebrate winning silver in the Men's 100m Butterfly Final on Day 7 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Aquatics Stadium on August 12, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Richard Heathcote/Getty Images)

Photo by Richard Heathcote/Getty Images

Como não mencionar a vitória de Joseph Schooling, o jovem de Singapura que 8 anos antes havia tirado uma foto com Phelps e dessa vez superou o ídolo de forma incontestável, com um dos tempos mais fortes desses Jogos do Rio.

phelps12

5- O choro de Jeanette Ottesen no revezamento 4×100 medley

Olimpíada muitas vezes é momento; dá para listar fácil vários nomes de excelentes nadadores, medalhistas de Mundial, que jamais subiram a um pódio olímpico. Pensar nessas pessoas ajuda a dar a dimensão do que é uma medalha olímpica, algo grandioso, absurdamente difícil, muito valioso. Jeanette Ottesen é uma dessas: sempre nas finais, sempre muito perto, mas a medalha não vinha, e nas provas individuais do Rio não foi diferente.

Até que no último dia de competições, no último revezamento, no que talvez tenha sido sua última prova olímpica, a dinamarquesa estava na beira da piscina vendo Pernille Blume fechar o revezamento 4×100 medley em terceiro, e segurar a vantagem, e segurar mais, e chegar em terceiro. Jeanette parecia não acreditar até olhar três vezes no placar; foi ai que ela desabou de chorar. Foi lindo.

swimmingolympicsday8ajeoegznj0hl

No pódio, Rikke Pedersen – outra campeã mundial que não chegou ao pódio individual no Rio – também caiu no choro.

swimmingolympicsday8allio1cbjpbl

4- O 50 livre masculino no Maria Lenk

A piscina e o local eram o mesmo das Olimpíadas, mas o contexto era outro. No dia 20 de abril chegaria ao fim a dúvida: quem representaria o Brasil na Olimpíada no 50 livre masculino? Bruno Fratus tinha o melhor tempo e Italo Manzine o segundo. Cesar Cielo, o único campeão olímpico da história do país, justamente nessa prova, não nadou na primeira seletiva e tinha ali a derradeira chance de se classificar para sua terceira Olimpíada. Ninguém sabia ao certo sobre sua condição física.

Nas eliminatórias, Cielo nadou para 21”99 e subiu para a segunda vaga. Na final, a tensão natural de um 50 livre e de uma definição de vaga para as Olimpíadas foi aumentada pelo atraso de cerca de 40 minutos no início da prova. Assisti a prova do lado da comissão técnica do Minas.

Foi inacreditável ver Cielo em terceiro e Italo Manzine fazendo a melhor prova de sua vida no momento que mais precisava: a vaga era dele. Seus técnicos estavam enlouquecidos. O que muitos sentiram foi parecido: o coração dividido entre a tristeza de ver Cielo, o maior nadador da nossa história, fora da Olimpíada em casa, chorando e pedindo desculpas, e a alegria por aquele cara que desafiou o impossível, e conseguiu a vaga na prova com resultado que parecia mais certo até um ano antes.

Cesar, Italo. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

Cesar, Italo. Trofeu Maria Lenk de Natacao, realizado no Centro Aquatico Olimpico. 20 de abril de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/ SSPress

3- A final do 100 peito masculino no Rio

Foi muito especial ver dois nadadores em uma final olímpica na prova de 100 peito, que por muito tempo foi a mais fraca do Brasil. O mais legal é ver que essa evolução tem muito a ver com a disputa interna acirradíssima pelas vagas para a prova, que começou em Pequim e continua até hoje, forçando os nadadores a nunca se acomodarem. João Gomes Junior e Felipe França tinham chances reais de medalha. A torcida brasileira estava presente em peso no local.

Na raia 4, Adam Peaty fez o tempo mais forte de todas as marcas feitas nas Olimpíadas. A opinião não é só minha, mas de todos os prêmios que até agora colocam o 57”13 na final do 100 peito como o tempo mais forte do ano. Não é só um recorde mundial; é um tempo 1 segundo e 4 décimos mais forte do que qualquer nadador jamais nadou, em uma prova de 100 metros. Foi inacreditável.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 07: Adam Peaty of Great Britain celebrates winning gold and setting a new world record in the Men's 100m Breaststroke Final on Day 2 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Aquatics Stadium on August 7, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Clive Rose/Getty Images)

Photo by Clive Rose/Getty Images

Apesar da tristeza dos brasileiros não terem chegado ao pódio, esse foi o melhor resultado dos dois nadadores, que chegaram pela primeira vez a uma final olímpica. Não é para qualquer um.

E a comemoração do terceiro colocado valeu o ingresso. Cody Miller, americano que nadou sua primeira Olimpíada, ficou completamente eufórico ao ver seu nome do lado do 3 no placar. Até hoje, se você entrar em seu instagram, vai ver que Miller ainda está comemorando – não de uma forma metida ou exibicionista, mas deixando muito claro que ainda está transbordando felicidade por realizar o sonho de sua vida.

swimmingolympicsday2_feydllosvnx

2- Phelps em ação no revezamento 4×100 livre

Para nós, todas as provas da natação na Olimpíada valem ser vistas. Mas se quer um conselho certeiro para dar a um amigo, é so falar para ir no dia do 4×100 livre masculino. É praticamente certo que vai ser ótimo. Tem sido assim nos últimos anos, e no Rio não foi diferente.

Teve Michael Phelps, que mesmo sem ter ficado entre os 4 na seletiva americana foi escolhido (se alguém tinha dúvida, como eu, de colocá-lo no revezamento, o parcial de 47”12 calou a todos – de novo). Foi a primeira vez que vi Phelps nadando e é algo mágico, que não vou esquecer nunca. Só sua presença na área da piscina já é algo diferente. Teve disputa entre EUA e França, de novo, com os franceses começando na frente e os EUA ganhando dessa vez, como há 8 anos. E teve Ryan Held, de 21 anos, chorando no pódio e sendo consolado por Michael Phelps. Eu fico imaginando a cabeça do cara, que tinha 13 anos quando viu aquele 4×100 livre de Pequim, e agora estava no pódio da mesma prova, com Michael Phelps do seu lado…

36fe52c500000578-3728926-image-a-7_1470655187558

1- Poliana, medalhista olímpica

Ver Poliana subindo ao pódio olímpico foi uma das coisas mais lindas que já vi em toda minha vida. O tipo de cena que transcende o esporte, que me deixou feliz meramente de estar viva para ver uma mulher, aos 33 anos, conquistando o que todas as nadadoras do Brasil já sonharam em algum momento de suas vidas, e nenhuma jamais havia conseguido. Tinha que ser ela, tinha que ser Poliana Okimoto.

poli

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

« »